Conselheiro representante do Tocantins no Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico Estevam Rivello Alves é favorável às medidas de lockdown (bloqueio total) em 33 cidades do Estado localizadas no Bico do Papagaio e no centro e sul do Estado e da lei seca aplicada à capital do Tocantins. 
 
Segundo o conselheiro, o bloqueio é proposto nos ambientes onde estamos perdendo o controle o que só ocorre por conta de um comportamento da população que despreza diante a orientação das autoridades. “É uma medida extrema, mas necessária para que a gente possa ter a normalidade no atendimento e não um surto com aumento exponencial dos casos que vá a perder o controle das autoridades de saúde”, avalia. De acordo com o médico, o bloqueio tende a possibilitar o acesso à assistência médica de todos os doentes contaminados que precisam ser internados.
 
O lockdown (bloqueio total) entra em vigor às 18h deste sábado, 16, em 33 municípios e vai até 25 de maio. A medida permite a movimentação de pessoas para serviços essenciais, como documento de identificação oficial com foto e máscaras de proteção da face. Já visitas e reuniões de pessoas da mesma família que não moram na mesma casa proibidas, não importa a quantidade de pessoas.
 
“Isso só está acontecendo pelo aumento de casos confirmados e no número de internados, já visualizando o esgotamento do sistema, para que não aconteça isso, tem de restringir movimento [de pessoas] porque com isso reduz o número de contaminação e possibilita maior organização dos serviços de saúde”. 
 
O conselheiro também apoia a lei seca da capital, que proíbe a venda de bebidas alcóolicas e seu consumo em ambientes públicos.  “A lei seca talvez seja pelo novo momento que a gente está vivendo. As pessoas passaram a ter um comportamento de grupo assistindo lives [apresentações artísticas ao vivo em redes sociais] com mais de uma pessoa, com a família, com amigos e isso pode ampliar o número de casos, então sou favorável”.

Levantamento do JTo mostra que em 30 dias, a contar da primeira morte pela doença no dia 15 de abril, os casos passaram de 29 casos para 1.179, um aumento de 1.150 confirmações ou 3966% de aumento. Além disso, de 7 cidades com casos o Tocantins passou para 56 e de uma morte para 25, um aumento de 2400%.
 
“Éramos os últimos [em número de casos e de mortes em relação aos outros estados], passamos Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e já visualiza Goiás, sem contar que o número de movimentação do tocantinense é um dos piores do brasil e a gente precisa que a restrição [de deslocamentos] atinja 60, 70% de eficácia para que a gente possa reduzir o número de casos e reduzir a mortalidade”.