O bloqueio orçamentário imposto pelo Ministério da Educação na última semana levou a Universidade Federal do Tocantins perder 42% do orçamento para despesas discricionárias, ou seja, com água, energia, manutenção, segurança. Essa porcentagem representa R$ 18 milhões a menos para a universidade que suspendeu novas bolsas de pesquisa e extensão, bem como perdeu nove bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) destinadas à mestrandos e doutorandos da Instituição federal.

De acordo com a UFT, as 177 bolsas de pesquisa existentes estão garantidas até o término da vigência, mas não serão renovadas no período de 90 dias de contingenciamento. Dentre essas, 135 são de iniciação científica, 24 de produtividade e 18 de tutoria.

Uma dessas bolsas já foi da Mestra em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UFT, Drielly Dayanne, que desenvolveu um sorvete probiótico com o amparo do benefício. Ela explica que a bolsa é muito importante para que o estudante possa se manter na área da pesquisa e na própria universidade. “A bolsa proporcionou amparo às minhas necessidades básicas de alimentação e transporte, além de praticidade no desenvolvimento do projeto através da aquisição de materiais que otimizavam meu tempo no preparo de materiais... Além da pesquisa, é através da bolsa que pude ir a congressos e divulgar resultados”, comenta.

A área da extensão, ou seja, projetos que exigem prática, também ficará comprometido em partes. A UFT explicou que o Edital Chamada Pública para o Programa de Auxílio Financeiro a Projetos de Extensão e Pesquisa está suspenso pelo prazo de 90 dias pois os projetos ainda não tinham sido renovado, dificultando a existência de projetos de extensão que são levados para a comunidade externa.

Quanto às bolsas da Capes, nove destinadas à UFT foram cortadas, sendo cinco bolsas de mestrado; uma bolsa de pesquisador visitante; duas bolsas de doutorado sanduíche e uma bolsa de pós-doutorado.

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFT, Raphael Pimenta, disse que se os cortes permanecerem haverá outra queda significativa de bolsas para o segundo semestre do ano. “Isso vai afetar profundamente a pesquisa, pós-graduação e a vida dos estudantes”, afirma.

A gestão informou que, até o momento, esses são as medidas tomadas para que a Instituição continue funcionando mesmo com bloqueio de quase metade do orçamento do ano, no entanto, a UFT explicou que está “pensando em outras possibilidades” para diminuir gastos.