Sem investimentos adequados, o setor de saneamento básico tem colecionado indicadores negativos para a sociedade brasileira. De acordo com o último estudo do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta quarta-feira, 5, 38,3% de toda água potável, tratada e pronta para ser distribuída, se perde pelo caminho especialmente por causa de vazamentos e dos chamados “gatos”.

Isso significou 6,5 bilhões de metros cúbicos de água, equivalente a 7 mil piscinas olímpicas por dia. Segundo o estudo, se forem considerados apenas os vazamentos, a água perdida seria suficiente para abastecer 30% da população brasileira por um ano – ou seja, 60 milhões de pessoas. A perda de faturamento representou prejuízo de R$ 11,3 bilhões para o País – mesmo valor investido no setor em 2017.

Para piorar, a situação vem se degradando rapidamente com a falta de investimentos. Nos últimos três estudos do Instituto, as perdas aumentaram. Em 2015, o País perdia 36,7% – 1,6 ponto porcentual abaixo dos dados de agora. O pior resultado foi verificado na Região Norte, com 55,14% de perdas na distribuição de água, encabeçado por Roraima com 75% de perdas. No Nordeste, o índice é de 46,25%; Sul, 36,54%; Sudeste, 34,35%; e Centro-Oeste, 34,14%.

Oitava economia do mundo, o Brasil tem indicadores piores que os de Bangladesh, Senegal, Uganda e Etiópia. Enquanto isso, 35 milhões de brasileiros ainda não são abastecidos com água potável – números que refletem a falta de prioridade que o setor teve nos últimos anos.

Apesar dos números negativos, a medida provisória que previa modernizar o setor de saneamento para atrair a iniciativa privada caducou esta semana, pela segunda vez consecutiva. A MP foi transformada em projeto de lei e será encaminhado para análise do plenário. Para virar lei, a proposta terá de ser aprovada pela Câmara dos Deputados e sancionada pelo presidente da República.