O presidente Jair Bolsonaro defendeu neste sábado, 01, a manutenção de Estados e municípios na reforma da Previdência, mas comentou que "há impasse na Câmara". "Isso está sendo acertado pela Câmara. O que nós gostaríamos é que fosse tudo junto", disse Bolsonaro, após participar de um churrasco na casa de um amigo em Brasília. "Está esse impasse dentro da Câmara e não tenho nada a ver com isso. A Câmara é que decide agora", afirmou. O presidente disse querer aprovar o texto "basicamente como chegou lá". "Espero que o pessoal se entenda."

O Estado apurou que existe a chance de o relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), manter o alcance da reforma para Estados e municípios, mas não há martelo batido sobre o assunto. Os parlamentares, por sua vez, poderiam apresentar um destaque para votar, em separado, alguma emenda que retire os governos regionais da proposta. Os líderes do DEM, Elmar Nascimento (BA), e do Cidadania, Daniel Coelho (PE), na Câmara protocolaram sugestões de mudança nesse sentido.

Questionado, Moreira disse que a permanência de Estados e municípios dependerá do apoio de lideranças no Congresso Nacional. Ele alertou que os governos regionais têm déficit anual de R$ 96 bilhões com o pagamento de aposentadorias e pensões, o que torna a aprovação da proposta essencial, mas admitiu que é preciso votos para garantir uma solução. "O que vai manter ou não (Estados e municípios na reforma) são os votos, e quem tem voto são os deputados, precisamos respeitar essa autonomia", afirmou Moreira. "São eles que vão decidir. Há três ou quatro opções que vamos escolher com outros líderes."

Como mostrou o Estadão/Broadcast, a equipe econômica não deve entrar na bola dividida entre governadores e Congresso pela permanência dos governos regionais na reforma. A resistência é dos parlamentares, que não querem "assumir o ônus" de aprovar o endurecimento das regras previdenciárias no lugar dos Estados.

Moreira deve conversar amanhã com governadores do PSDB sobre o tema. O relator disse ainda que deverá entregar o parecer sobre a reforma até o fim desta semana ou início da seguinte. A ideia é concluir o texto antes do prazo de 15 de junho. Segundo ele, faltam poucos pontos para serem fechados. Moreira, no entanto, evitou antecipar quais itens já foram decididos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.