Com o recorde de 8.250 candidatos com pedido de registro na Justiça Eleitoral toda artimanha é empregada pelos candidatos para ser lembrado pelos eleitores, numa eleição em que não há coligações proporcionais em meio a uma pandemia que dificultará o corpo a corpo. Uma das saídas mais tradicionais é incorporar a profissão ou atividade ao nome de urna.

Este ano, a profissão mais presente é Pastor. São 57 candidatos que usam a ocupação no nome de urna. Há sete mulheres pastoras na disputa, todas por uma vaga na Câmara, quase todas casadas. A exceção é a Pastora Elza (PP), de Babaçulândia, 58 anos. Há três que se declaram brancas, outras três pardas e apenas uma preta, a Pastora Paula Galvão (PSL), 47 anos, candidata em Araguaína. 

O candidato pastor mais jovem é Lucas do Pastor (PSC), de 25 anos, que disputa a Câmara de Divinópolis. Ele é solteiro, pardo e é técnico em eletrônica. O mais velho é um indígena da etnia Karajá. Pastor João Werreria é do PDT, tem 80 anos, e depois de ser vereador agora tenta se eleger vice-prefeito, pelo PDT.

A segunda profissão mais presente nas urnas é “Do Povo”. Caso do Patrãozinho do Povo (PP) , 39 anos, que disputa uma vaga de vereador em Araguaína. Na mesma cidade, tem o Lourão do Povo (Avante), 26 anos também de olho na Câmara. Em Dianópolis, disputa o Legislativo Querubim do Povo (SD) e em Formoso, a Baixinha do Povo (PRTB).

A terceira do ranking é DR, abreviação de doutor, que deveria ser usada apenas para quem detém um título de doutoramento, mas é empregado, no popular, para profissionais liberais e da saúde. 29 desses candidatos com “DR” no nome de urna são advogados. O mais jovem é Dr Emanoel, do PSL, 25 anos, que disputa para vereador em Araguacema. O mais velho é DR Aldenor (PSL), 75 anos, que tenta ser vereador em Cristalândia.

Há 14 médicos na lista dos "DR", incluindo quatro que disputam para prefeito, caso de Dr Hugo Mendes (PRTB) em Araguaína, Dr Joaquim Rocha (PMB) em Palmas. Os outros dois são Dr Cleomar Júnior (PSC) em Miranorte e Dr Thiago (PL) em Pindorama. Os DR médicos que disputam a vice são Dr Cleber (PT) em Paraíso e Dr Hugo (SD), em Porto.

Dos candidatos com DR médico, 8 são candidatos a vereadores. A capital concentra a maioria, um deles é o Dr Luciano (PSDB) que denunciou as propinas no Plansaúde. Os outros dois são Dr José Eustáquio (PL) e Dr Estevam Rivello Alves (Podemos).

Há casos de empréstimo do “título” de parentes. Caso da Elizângela do Dr Napoleão (PP), que é assistente social e disputa vaga de vereadora em Sítio Novo.  Em Paranã, Juliana do Dr Paulo (PTB), 36 anos, é empresária e tenta ser vereadora. 

Entre os políticos, apenas dois candidatos a vereador da capital adotaram Bolsonaro no nome e o do ex-presidente Lula, apenas um, em Fátima.