Para o jurista Miguel Reale Jr., as ofensas de cunho sexual feitas pelo presidente Jair Bolsonaro contra a jornalista Patrícia Campos de Mello, da Folha de São Paulo, podem ser consideradas crime de responsabilidade.

Nesta terça-feira (18), em entrevista, o presidente comentou depoimento de Hans River na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News e afirmou que a jornalista “queria dar o furo a qualquer preço”.

River, que é ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows, disse no Congresso Nacional que Patrícia Campos de Melo procurava informações “a troco de sexo”.

Para Reale Jr., a declaração de Bolsonaro, que endossa o discurso do depoente, fere o decoro presidencial e, por isso, abre brecha para um processo de impeachment contra ele. Ele também frisou, à Veja de São Paulo, que a insinuação sexual em relação à profissional fere não só a jornalista, como as mulheres e o ser humano. “É algo que ofende mais profundamente a dignidade humana e não só o decoro”, ressaltou.

O jurista foi um dos responsáveis pelos pedidos de impeachment contra Fernando Collor e Dilma Rousseff. Para ele, não é a primeira vez que o atual presidente fere o decoro, mas dessa vez considera que todos os limites foram rompidos.

A Lei 1.079, que trata dos crimes de improbidade administrativa cometidos por quem ocupa o mais alto cargo do Executivo, dispõe sobre o que argumenta Reale. A Folha de São Paulo, inclusive, lembrou da norma na nota em que repudia as afirmações.

Concretamente, ele afirma que não pretende assinar representação contra Bolsonaro. Disse que, dessa vez, quer só assistir.

A jornalista tem sido alvo de ataques porque foi a autora de uma reportagem, de dezembro de 2018, que denunciava a ação de uma rede de empresa, incluindo a Yacows, em um esquema fraudulento de disparo de mensagens pelo Whatsapp, favorecendo políticos em período eleitoral.