Na noite de quarta-feira, 17, a Corregedoria-Geral da Secretaria da Segurança Pública usou o site institucional da Secretaria para publicar uma "Nota de Esclarecimento" com críticas à postura do delegado Guilherme Rocha Martins, na qual sustenta que ele não respeitou as normas da Polícia Civil ao conceder uma entrevista para o Fantástico, em dezembro do ano passado sobre corrupção, sem comunicação prévia. Em reação, o Sindicato dos Delegados (Sindepol) rebate a nota e acirra ainda mais o clima em torno do órgão censor da corporação, que virou alvo de inquérito do Ministério Público, que suspeita de improbidade administrativa da cúpula.
 
Entre os principais pontos da nota do órgão sobre o caso de Rocha Martins, a Corregedoria insiste que a Diretoria de Comunicação não recebeu solicitação da Globo para a entrevista e não foi comunicada pelo delegado da existência do pedido.
 
Também afirma que o delegado foi intimado por duas vezes e em nenhuma delas apresentou o ofício do delegado para a Diretoria de Polícia da Capital no qual ele avisa sobre a concessão de entrevista. Segundo a nota, não haveria razão para manter a sindicância “diante da notícia dada pela imprensa do ofício cuja cópia não foi encaminhada a Corregedoria-Geral”.
 
Esta nota é uma versão ampliada da que o órgão enviou para a imprensa no dia 10, comentando a repercussão na imprensa sobre a sindicância aberta contra o delegado, e publicada nessa matéria do JTo.
 
A nota traz a mais a análise de outras sindicâncias envolvendo outros delegados e também sobre o Inquérito Civil Público instaurado pelo Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) do Ministério Público para apurar improbidade dos corregedores. 
 
Segundo a SSP tão logo seja oficiada, prestará as informações solicitadas. Nesse ponto, a nota também defende que a Corregedoria tem o dever de investigar todo e qualquer fato que configure, em tese, infração disciplinar.
 
Reação do Sindepol
 
Para o Sindepol, a nota da Corregedoria fere a honra do delegado Rocha Martins. Além de não considerar as justas causas para adiamento das oitivas, segundo o sindicato, o órgão omitiu que o delegado havia prestado depoimento pela manhã de quarta-feira, 17, com encerramento às 1hh, na sede da corregedoria e esclareceu os fatos. O Sindepol inclusive publicou um espelho do sistema de gestão documental que prova a tramitação do comunicado do delegado para a diretoria de policial e postou um vídeo em sua conta no instagram.
 
“Compreende-se que a corregedoria está subvertendo o sistema constitucional e o princípio do contraditório no sistema acusatório, onde o acusado não deve provar a sua inocência, mas sim o acusador provar a culpa. A inocência é um estado natural concedido pela Constituição a todos os brasileiros”, critica o sindicato. 
 
Segundo o Sindepol, a administração deveria “ter o controle de seus documentos internos e não deveria colocar isso sobre a responsabilidade da pessoa investigada”.
 
Por meio da assessoria de imprensa, a presidente do Sindepol, Sarah Lilian, lembrou o risco da atividade policial e cobrou respeito. "Sabemos que a corrupção ceifa vidas diariamente e precisa ser combatida com rigor. Por isso reitero o meu apoio integral aos Delegados que vêm sofrendo retaliações e reforço a necessidade de buscarmos fortalecer as ações de combate à corrupção no Estado do Tocantins, de maneira eficiente e imparcial.”