O vereador Carlos Bolsonaro aproveitou o frio do último domingo (07) para questionar o aquecimento global. Na rede social, ele perguntou para seus seguidores: “Quando está quente a culpa é sempre do possível aquecimento global e quando está frio fora do normal como é que se chama?”.

Carlos fez uma relação entre o clima (um dado de longo prazo) e o tempo (uma questão pontual).

"Não tem lógica nenhuma. A existência do aquecimento global é comprovada a partir de uma média de temperaturas que leva em conta muitas informações, é um cálculo complexo computacional, feito por centenas de cientistas do mundo todo. O fato de fazer mais ou menos frio em algum lugar do país, em determinado momento, não desmente esse modelo", diz o professor de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ , mestre em Engenharia Nuclear e doutor em Física, Luiz Pinguelli Rosa.

O professor entende que o comentário do vereador "não só mostra falta de conhecimento básico sobre a diferença entre clima e tempo, como também desconsidera evidências científicas".

"A atmosfera é complexa, e o planeta está esquentando na média, como comprova o derretimento das geleiras do Hemisfério Norte, por exemplo, ou a onda de calor na Europa . Contra-exemplos de que está fazendo mais frio aqui e acolá não desmentem nada. É mais uma mostra de falta de informação e irresponsabilidade com as políticas ambientais neste governo" explica Pinguelli Rosa.

De acordo com o coordenador do Grupo de Pesquisa em Interação Atmosfera-Biosfera, da Universidade Federal de Viçosa, Marcos Heil Costa, o Brasil vem apresentando aumento de temperatura acima da média global, fruto de desmatamento da Mata Atlântica e do cerrado ao longo dos últimos 100 anos.

"O frio de um dia é só um ponto na curva, e a curva tem milhares de pontos que, analisados ao longo do tempo, indicam um aumento global da temperatura. Isso é científico. Dizer que um dia frio desmente o aquecimento global seria como afirmar que o nascimento de um anão diminui a estatura média dos cidadãos no planeta", conclui Marcos.