“Há mais de 15 anos sou contra o Estatuto do Desarmamento, porque o bandido permanece armado e o cidadão fica refém do crime”, declara o candidato a governador César Simoni (PSL). Questionado se esse discurso não seria uma forma de tirar o papel do Estado de ser responsável pela segurança da população, Simoni argumenta que: “é o inverso, o Estado Nação tem o dever de garantir a segurança, contudo não é possível colocar um policial na porta de casa de cada um, de todas as faculdades, do comércio, da farmácia”.

“Não se pode liberar as armas de forma indiscriminada, é preciso ter limite de calibre, exame de sanidade mental, curso de tiro e punição severa para quem fizer mal uso da arma”, detalha Simoni, defendendo que deverá ter academias de tiro como existem academias de ginástica. Para o candidato, é preciso facilitar que a população tenha acesso a esse tipo de cultura, uma taxa de registro que o Brasil possa pagar. “O cidadão tem que ter a opção, o direito de se defender. Uso arma desde os 18 anos”, diz. Simoni avalia que se os cidadãos tivessem armas os bandidos pensariam duas vezes antes de render as pessoas em um restaurante ou outro local.

Ainda tratando da questão da segurança, Simoni observa que os quadros da Polícia Militar e Polícia Civil precisam ser ampliados. “Não é possível que municípios não tenham uma delegacia, pois essa unidade tem que estar presente. Tentei enquanto secretário implantar várias delegacias desativadas e tivemos vários avanços”, exemplifica. O candidato detalha que fez parcerias com os prefeitos, que cederam o imóvel, água e energia e a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) assumiu a responsabilidade pelo mobiliário, equipamentos e pessoal.

Sobre os pagamentos das correções das tabelas da Polícia Civil, concedida por lei em 2014, o candidato destaca que a situação está judicializada. Entretanto, Simoni conta que encontrou ao assumir a SSP com um delegado atuando em cinco delegacias localizadas em municípios diferentes e hoje até seria assim. “Tivemos que enviar um projeto de lei para a Assembleia Legislativa definindo o pagamento de indenização aos delegados que estavam acumulando função, pois estavam trabalhando mais de 40 horas semanais, se deslocando de um município para o outro”, diz.

Em relação as promoções da Polícia Militar, Simoni diz pensar igual ao candidato Bolsonaro, que deve ser considerada a meritocracia.

Simoni defende que a pessoa que cometeu crime doloso, com intenção de fazer a infração, não deve ter direito ao defensor público, caso não possa pagar. “Sou contra pagar defensor para quem quis delinquir, não foi um acidente”, salienta o candidato exemplificando casos de pessoas que mataram, estupraram ou roubaram. Ele detalha que o criminoso tem comida e hospedagem e sobre as condições dos presídios responde: “se não aguenta a cadeia que não comenta crime”.

Educação

O candidato promete que irá investir muito na escola militar, pois criar uma força militar nas escolas seria criar uma disciplina. “Temos acesso a vários vídeos com alunos afrontando os professores de forma inadmissível. Eles têm que aprender português, matemática, geografia. Hoje se prega na escola é ideologia de gênero, posições políticas. Quem educa são os pais e quem ensina são os professores”, pensa o candidato. Simoni também propõe a criação de escolas técnicas que possibilitariam aos estudantes, quando concluírem o Ensino Médio, ter condições de disputar uma vaga no mercado de trabalho. “No Tocantins você não tem um bom eletricista, um bom mecânico ou um bom soldador. Sem a qualificação da mão de obra as empresas não virão para o Estado”.

Ele enaltece que o Tocantins está com os ensinos Fundamental e Médio precários, criando analfabetos funcionais, sem preparo para o mercado de trabalho.

Para a área de esporte, Simoni diz que estimulará as ações, pois seria fundamental para a felicidade do povo, citando as práticas adotadas na Roma antiga. Perguntado se criaria uma Secretaria Estadual de Esporte, diz: “não penso em criar”.

Mesmo sem contemplar a área no seu plano de governo, Simoni garante que vê a cultura como o resgate da história e defende que fará investimentos. “O que é óbvio não precisa ser dito”, justifica. Sobre as dívidas do governo, relacionada aos editais de cultura não pagos, o candidato frisa: “me comprometo em pagar todas as dívidas legais do governo, pois quem prestou serviço precisa receber. O Estado não pode ser caloteiro”.

Servidores

Questionado sobre as dívidas do governo estadual com os servidores - data-base, progressão e aumentos -, Simoni é categórico: “se a lei determina pagamento tem que pagar. Ou respeitamos a lei, ou viveremos em estado de anarquia”. Porém, Simoni admite que a situação é mais complicada ainda, pois o Estado está em uma encruzilhada, onde tem lei que garante o pagamento e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impede que aumente os gastos com pessoal. “Precisamos achar um equilíbrio entre as duas situações e tudo é possível se as pessoas tiverem boa intenção.”

Ele sustenta que o grande problema do Estado é a “roubalheira”, lembrando que os órgãos de controle precisam ser mais atuantes para impedir situações como o desconto do pagamento do plano de saúde dos salários dos servidores e os recursos não são repassados aos prestadores de serviços. Simoni também cita as aplicações irregulares feitas pelo Igeprev, com um prejuízo, segundo ele, de quase R$ 2 bilhões onde ainda não foram apontados os responsáveis.