O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), admitiu entregar o cargo de liderança após ser alvo da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 19.

A Polícia Federal realizou buscas no gabinete de Bezerra. O apartamento do senador e o gabinete do deputado Fernando Filho (DEM-PE), filho do senador, também foram alvos de buscas, além de endereços em Pernambuco ligados aos dois.

As ações fazem parte da Operação Desintegração, desdobramento da Operação Turbulência, e foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF apura um suposto esquema de propinas pagas por empreiteiras – que executavam obras custeadas com recursos públicos – em favor de autoridades.

"Tomei a iniciativa de colocar à disposição o cargo de líder do governo para que o governo possa ao longo dos próximos dias fazer uma avaliação se não seria o momento de proceder uma nova escolha ou não", disse Bezerra em entrevista na entrada do prédio onde mora, em Brasília.

Ele reforçou que a decisão será tomada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelos ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). "Todos estão querendo aprofundar a análise do que foi baseado todas essas ações que nós fomos vítimas no dia de hoje para que o governo possa se manifestar."

Bezerra se comprometeu em, mesmo deixando o cargo, ajudar o governo na agenda de reformas no Senado. Ele ainda apontou que seus advogados avaliaram a busca da PF como "muito extensa e desnecessária".

Onyx
O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que o governo vai aguardar os desdobramentos das investigações sobre Bezerra para decidir se ele permanecerá ou não na função. No Rio Grande do Sul nesta quinta-feira, Onyx disse que vai discutir o assunto com Bolsonaro no próximo final de semana.

"Ele (Bezerra) tem uma situação relativa a fatos passados, quando ele era ministro de um governo anterior. A posição do nosso governo é aguardar os acontecimentos", disse Onyx. "Estou sendo informado agora, mas no fim de semana vou conversar com o presidente e vamos ver qual atitude vai ser tomada."

Planalto
Apesar de Bezerra ter colocado o cargo de líder do governo à disposição, Bolsonaro ainda não decidiu se vai substituí-lo. De acordo com um assessor do Palácio do Planalto, a fase é de "acompanhamentos e análises" sobre a operação da PF.

Em recuperação após passar por uma cirurgia, o presidente segue no Palácio da Alvorada, uma das residências oficiais da Presidência. Ainda não há previsão de uma reunião para discutir o assunto.

Pela manhã, Bolsonaro conversou com alguns aliados por telefone, como o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, que deve viajar a São Paulo para cumprir agenda na capital paulista nesta quinta.

Defesa
Em nota, a defesa de Bezerra pontuou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) opinou contra a busca porque “a medida terá pouca utilidade prática”. Na entrevista, Bezerra diz que a investigação corre há muito tempo, que está à disposição da Justiça e manifestou expectativa no arquivamento do inquérito.

"Esses são fatos que já vão completar oito, seis anos, e que estão sob investigação há muito tempo e que, portanto, vamos, no devido curso do processo legal, prestar todas as informações. E temos certeza, como outros inquéritos, eles vão ter o mesmo destino, que será o arquivamento", declarou o parlamentar.