Tendências e Ideias

Por que privatizar a Eletrobras?

Foi com uma imagem de grandeza de uma empresa que vi, com entusiasmo, a CELG-Distribuição ser federalizada, sob comando da Eletrobras. Meu entusiasmo justificava-se pela imagem do passado da instituição: uma empresa que se fez grande e respeitada desde sua fundação até os anos de 1980. A partir daí, infelizmente, a Eletrobrás acompanhou a destruição do Estado que a apoiou e instrumentalizou nas gloriosas décadas passadas. E foi essa a Eletrobras que assumiu a já combalida CELG, que tanto necessitava de algo que a empresa holding do sistema elétrico nacional não ofereceu à ex-estatal goiana: gestão.

Aqueles que acompanharam de perto o processo de privatização da CELG veriam aportar na empresa inúmeros diretores e funcionários — muitos aposentados — a assumirem funções com as aposentadorias devidamente incorporadas aos salários de diretores e funcionários graduados da CELG. Remunerações acumuladas que beiravam, no total, a algo em torno dos R$ 100 mil. Convenhamos: salários milionários nem de longe refletiram numa gestão capaz de ajudar a reverter a trágica situação da empresa, reflexo de décadas de desmandos dos governos estaduais. A destruição do Estado nacional desenvolvimentista no país transformou a Eletrobras num mastodonte burocrático, repleto de consultorias e gratificações acumuladas léguas distantes daquela instituição que tão bem cumpriu seu papel nos primeiros 30 anos de sua existência. Hoje, a realidade é outra. A globalização da economia requer das instituições eficiência, agilidade e flexibilidade para enfrentar novos desafios. Nesse sentido, não tem mais razão de a Eletrobras manter-se como uma empresa estatal. Precisa ser privatizada! Os áureos tempos de brilhantes engenheiros como Mário Bhering há muito se foram.

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