Salatiel Soares Correia
é engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Ciências pela Unicamp. É autor, entre outras obras, de A Energia na Região do Agronegócio.
 
“O computador e, depois, o telefone irão agregar um monte de coisas. O senhor precisa investir nisso.” Parecia uma ousadia, mas foi assim que um brilhante aluno de doutoramento do prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts – o mitológico MIT – aconselhou o todo-poderoso dono da Microsoft, Bill Gates.
 
É bom esclarecer que, quando esse neófito pesquisador aconselhou o empreendedor mais rico do planeta, este ainda engatinhava com a tecnologia dos telefones celulares, que se constituíam em verdadeiros tijolos que as pessoas, com dificuldade, transportavam de um lugar para outro.
 
Bastou uma conversa de não mais que meia hora para que Bill Gates percebesse o potencial do pesquisador que ousadamente o aconselhava. E não pensou duas vezes para o contratar. A partir daí, esse pesquisador brasileiro se tornou o responsável por conectar os 12 laboratórios de pesquisa da Microsoft no mundo. Cabe a ele escolher os projetos nos quais a empresa irá investir.
 
O mundo da multimídia, previsto pelo então aluno do MIT a Bill Gates, tornou-se uma realidade. Por ironia do destino, em tudo que se refere a isso, ele teve participação direta ‒ dos vídeos do YouTube a imagens e áudios pelo celular, do Skype aos óculos que permitem ver imagens tridimensionais.
 
Reconhecido internacionalmente, esse cientista da Microsoft é detentor de uma respeitável produção científica. Com 119 patentes registradas nos Estados Unidos e mais de 160 artigos científicos publicados nas mais prestigiadas revistas de telecomunicações do mundo, ele é membro da seleta academia norte-americana de engenharia.
 
O pesquisador de que vos falo é o doutor Henrique Sarmento Malvar. Tive o prazer de o conhecer quando eu cursava o mestrado na escola de engenharia da Unicamp. Pude testemunhar o respeito com que ele foi recebido pelos mais expressivos professores da casa. A todos – docentes e discentes —, doutor Henrique atendia com paciência e simpatia. Coisa típica dos homens de geniais.
 
Na breve conversa que tivemos, lembrei-lhe que já tinha ouvido muito falar a seu respeito quando ele foi laureado com um importante prêmio concedido pelo governo brasileiro — o jovem cientista brasileiro. Com mais de 60 anos, doutor Henrique era, ainda, nos tempos que recebeu o prêmio, um jovem promissor no esplendor de seus 21 anos.
 
“É, tive a sorte de a minha modesta pesquisa na área de telecomunicações ter sido nacionalmente reconhecida.”, respondeu-me ele.
 
A lição de humildade desse gênio das telecomunicações sempre me serviu de parâmetro para avaliar quem é quem no mundo acadêmico e fora dele. Um mundo no qual impera a fogueira das vaidades, que é repleto de grupinhos que se fecham em si mesmos. Um mundo em que, muitas vezes, a ilusão do conhecimento se confunde com os que de fato conhecimento têm. Quem nasce para brilhar constrói seu próprio caminho léguas distantes das politicagens.
Nesse sentido, o exemplo do Doutor Henrique Sarmento Malvar é a face visível de que a força do valor pessoal rompe barreiras.