Maria Santana Ferreira dos Santos Milhomem 
professora do Curso de Direito e Pró-reitora de Extensão e Cultura da UFT
 
Ana Lúcia Pinto 
doutoranda em Letras-UFNT
 
 
Iniciamos o ano de 2020, como de praxe, com muitas expectativas. Tudo parecia normal. Eis que começa aparecer nos jornais que um vírus muito poderoso, chamado Sars-cov2, causador da Covid-19, estava se aproximando do Brasil. E dito e feito: aqui chegou e lá se vão cinco meses de total impotência, diante da disseminação desse mal, também conhecido como Coronavírus. 
 
Com crescimento do número de casos de pessoas infectadas e de mortes por ele ocasionadas, foi necessário o isolamento social e adoção de algumas medidas de prevenção: as pessoas não poderem mais se abraçar, tampouco cumprimentar tocando nas mãos. E o pior: não sabemos nos comportar diante disso. Não sabemos ver amigos e familiares queridos e não abraçá-los. Não sabemos lidar com a solidão. 
 
O fato é que a magnitude do problema tem causado várias sensações e sentimentos nas pessoas, uma delas é de estar à beira do abismo e assim temos refletido mais sobre o “sentido” de tudo. 
 
Temos experimentado com frequência a solidão, a saudade, o ócio, a dor, o ódio, o cansaço. Mas também, temos visto que pequenos momentos de alegria têm-se tornado grandes e intensos momentos. Estar com a família se tornou mais valioso. Viver se tornou mais valioso.
 
Temos observado mais as durezas da vida. Mas também, temos esquecido a conexão com o invisível, indizível e o oculto. 
 
Temos partilhado virtualmente, nossas angústias, incertezas, tragédias e nossa solidariedade ao próximo.
 
Temos deixado de nos reunir, mas temos compartilhado esperanças de um presente mais alegre, sem pandemia, sem isolamento e com boa saúde do corpo e da mente.
 
Temos aproveitado mais o nosso tempo com as leituras, meditações e colocado em prática desejos que antes pareciam banais ou impossíveis de ser realizados, por conta da correria do dia a dia.
 
Temos trabalhado mais, isso porque as horas de teletrabalho multiplicam-se na forma de web-reuniões, orientação via mensagens ou conversas telefônicas, elaboração de projetos, captação de recursos, campanhas financeiras, junto a amigos e conhecidos. Coisas que não têm mais fim... O cansaço, as horas insones, madrugadas mal dormidas, cochilos no romper do dia ou em momentos roubados de tardes de trabalho, tudo é permitido, exceto manter a atonia e a acomodação. 
 
Contudo, vêm as lições e aprendizados: ser mais solidários, prescindir de muitos objetos e coisas materiais, apreciar mais o espaço de nossas casas, curtir um jogo de palavras cruzadas, rever um filme, tomar um vinho, escutar velhos discos, abdicar de saídas e nos mantermos próximos de quem amamos e estimamos, mesmo que fisicamente distantes!
 
Temos experimentado a todo o momento o medo. Medo de ser contaminado/a, de perder um familiar, amigos e de perder a própria vida. Mas também, a esperança e a solidariedade.
 
Esse vírus veio para mostrar que não existe preconceito quando o assunto é a contaminação. Ou seja, não tem raça/etnia, condição econômica, social, geracional e de gênero que nos diferencie nesse momento, todos estamos sujeitos a ele. No entanto, os dados mostram que os/as mais impactados/as são os/as vulneráveis e pobres, pois dependem diretamente do sistema público de saúde e de políticas públicas inclusivas.
 
E o que mais importa nesse momento é seguir firme, amar mais, aproveitar os dias e a oportunidades, ser solidários, enfim, viver.