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Neto de ex-senador tem prisão revogada em menos de 8 horas

Estudante atropelou o agente do Detran, ao fugir de uma blitz da Lei Seca. Segundo testemunhas, o motorista do Porsche fugiu sem prestar socorro ao agente, que morreu no domingo

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Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva, neto do ex-senador José Carlos da Silva Júnior

Apontado pela polícia como autor de um atropelamento que matou um agente do Detran em João Pessoa (PB), o estudante Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva, 24, teve sua prisão revogada menos de oito horas após ter sido decretada.

José Carlos da Silva Júnior, avô de Silva, foi senador pelo PMDB (1996 a 1997 e 1999) e vice-governador da Paraíba (1983 a 1986). A família do estudante também é dona da TV Cabo Branco, afiliada da rede Globo, e do Grupo São Braz, um dos maiores produtores de alimentos do Nordeste.

Na madrugada do sábado (21), por volta de 1h30 da manhã, segundo a polícia, Silva atropelou o agente Diogo Nascimento de Souza, 34, ao fugir de uma blitz da Lei Seca. De acordo com testemunhas, o estudante fugiu sem prestar socorro a Souza, que morreu neste domingo (22).

A prisão temporária de Silva foi decretada por volta das 19h30 de sábado, pela juíza Andréa Arcoverde Cavalcanti Vaz. Segundo ela, a prisão é "medida é de extrema relevância para elucidação dos fatos criminosos". Às 3h da madrugada de domingo, o desembargador Joás de Brito Pereira Filho concedeu um habeas corpus a Silva.

"Surpreendentemente, o desembargador concedeu o habeas corpus de madrugada", afirma à reportagem o delegado Marcos Paulo Vilela, que conduziu as investigações do caso no fim de semana. "E a polícia não foi comunicada da decisão. Domingo pela manhã eu ainda mandei uma equipe cumprir o mandado de prisão", diz Vilela, que soube do habeas corpus pela internet.

Questionado se considera que Silva pode ter sido favorecido por suas relações familiares, o delegado diz que não tem como provar, mas que "é muito estranho" ele ter sido liberado mesmo com uma juíza e o Ministério Público acatando a tese de homicídio doloso, no qual há intenção de matar.

Em sua decisão, a juíza afirma que "o acusado evadiu-se do local do crime sem prestar socorro à vítima, demonstrando intenção de furtar-se a sua responsabilidade". "Além do mais, o acusado, em liberdade, poderá destruir provas", completa.

O desembargador Pereira Filho não respondeu às ligações da reportagem até a publicação desta reportagem. Em entrevista à rádio Band News, ele afirmou que a prisão era desnecessária, já que Silva era réu primário.

O magistrado afirmou ainda que Silva deverá se apresentar em 72 horas e que a defesa disponibilizou o carro para a perícia policial, já realizada. Procurada pela reportagem, a defesa do estudante afirmou apenas que colabora com as apurações e aguarda o desenrolar dos fatos.

Em nota, os agentes do Detran da Paraíba criticaram a decisão de conceder o habeas corpus, destacando que "o acusado faz parte de tradicional família paraibana com grande influência na região".

No texto, os agentes pedem que o caso seja tratado "de maneira isonômica" e que Silva "independente de classe, cor, raça ou condição financeira, responda por suas condutas como estão sujeitos todos os cidadãos brasileiros".

Segundo o delegado Vilela, duas testemunhas afirmaram que viram quando o Porsche de cor branca, veículo que de acordo com a polícia Silva dirigia acompanhado de uma mulher, acelerou logo após ter recebido ordem de parar na blitz.

"Não existe a menor dúvida de que foi dolo direto tendo em vista o que foi provado", disse. A polícia já realizou perícia no carro e analisou imagens de câmeras.

Ainda de acordo com o delegado, Silva havia estado em um restaurante e, na conta, há bebidas alcoólicas. "Ainda não temos provado se ele ingeriu de fato", completa.

Reprodução/TV Cabo Branco
Porsche onde estava Rodolpho da Silva
Reprodução
Agente do Detran, Diogo Nascimento de Souza
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