Notícias

Em sabatina, Dilma fala de Mensalão à Gaza

Candidata à reeleição pelo PT participou de evento promovido por veículos de comunicação de São paulo

A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que houve diferença entre o tratamento dado ao caso conhecido como mensalão do PT e o mensalão do mineiro, esquema ligado a políticos do PSBD.

 

Em sabatina realizada promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, pelo portal UOL, pelo SBT e pela rádio Jovem Pan, a presidente afirmou que foram usados “dois pesos e umas 19 medidas” nesta situação. “Nessa história da relação com o PT, tem dois pesos e umas 19 medidas. Porque o mensalão foi investigado. Agora, o mensalão mineiro, não”, disse a presidente.

 

“Fomos o único governo que teve pessoas condenadas”, afirmou ela, numa referência ao julgamento do mensalão. Atualmente, o processo criminal contra o ex-deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de participar no chamado mensalão mineiro, tramita na Justiça mineira.

 

Ao Estado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello lamentou as declarações da presidente sobre a Corte. “Não devemos colocar sob suspeita essa instituição tão importante para a democracia. Fico realmente triste quando vejo que veio (a suspeita) da parte da direção maior do País”, disse.

 

Na avaliação do ministro, “é motivo de preocupação” qualquer tipo de suspeita com relação ao STF. “Houve um julgamento técnico pelo STF. O Supremo não se distanciou do direito posto”, afirmou o ministro na noite desta segunda.

 

Em uma das primeiras manifestações que fez sobre o julgamento da ação penal 470, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva afirmou que a decisão sobre o mensalão foi 80% política e 20% jurídica. “O que eu acho é que não houve mensalão”, afirmou ele, em abril. Para o ex-presidente, a história do mensalão será “recontada” no futuro.

 

Procurado, o Supremo não se manifestou oficialmente. O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão e atual presidente da Corte, está de férias até dia 31. No período de recesso judiciário, o tribunal funciona sob esquema de plantão, com o ministro Ricardo Lewandowski na presidência em exercício. Lewandowski irá assumir a presidência da Corte na próxima semana, quando Barbosa irá se aposentar.

 

 

Gaza

Em meio à crise diplomática entre Brasil e Israel por conta da reação do Itamaraty à ofensiva militar na Faixa de Gaza, a presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira, 28, que o que está ocorrendo na região é um “massacre”.

 

Foi a primeira declaração pública da presidente sobre o assunto desde a troca de farpas entre autoridades brasileiras e israelenses, que culminou com o porta-voz da chancelaria de Israel, Yigal Palmor, chamando o Brasil de “anão diplomático”.

 

“O que está ocorrendo na Faixa de Gaza é uma coisa muito perigosa. Não acho que é genocídio, acho que é massacre. Não está sendo feito um genocídio, mas uma ação desproporcional. De fato, tem de acabar com aquela história de matar os três jovens israelenses, mas não é possível matar crianças e mulheres de jeito nenhum”, disse a presidente

 

Na avaliação de Dilma, a Organização das Nações Unidas (ONU) está “completamente certa” ao exigir um cessar-fogo em Gaza. O Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu ontem, em reunião extraordinária, um cessar-fogo no conflito entre Israel e o Hamas.

 

“Acho que a decisão da ONU de exigir um cessar-fogo imediato é altamente bem-vinda porque é uma questão humanitária. Numa guerra desse tipo, quem paga são os civis”, comentou Dilma.

 

Polêmica

As declarações de Dilma sobre o caso envolvendo petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal são as primeiras da presidente após o desfecho do caso que envolveu compra de apoio parlamentar .

 

Marcelo Camargo - ABr
Dilma ainda não havia falado sobre temas polêmicos
Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.
ASSINE JÁ