Saúde, educação e segurança são normalmente temas que embasam planos de governo de candidaturas desde prefeitos até presidentes da República. E somam-se a estes outros temas que dizem respeito a determinado período ou sociedade. No caso do Tocantins, um Estado novo e que vive uma crise econômica e social marcada por governos que não concluem mandatos pelo menos desde 2009. Temas como desobediência à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF); falta de infraestrutura adequada, crise no sistema prisional fazem parte do cotidiano.

Neste contexto, o candidato a governador na Eleição Suplementar do Tocantins, Mário Lúcio Avelar (PSOL), avalia ter um plus em relação aos seus opositores, pois conhece estes problemas por outra vertente, uma vez que tem sua vida profissional alicerçada no serviço público, em especial como procurador da República no Tocantins.

Ele diz que consegue ter uma noção clara de como a corrupção se infiltra nos vários setores do poder, comprometendo recursos que deveriam ser destinados à garantia dos direitos fundamentais. Em termos gerais, o candidato defende que o primeiro passo para resolver problemas que considera enraizados no Estado é o combate à corrupção. “O Estado do Tocantins é gerido desde o seu nascedouro pela chaga da corrupção, do assalto ao erário”, avalia.

Ele explica que quando de sua atuação no Ministério Público enfrentou esses problemas, combatendo o que classifica de máfia e crime organizado dentro da saúde e da educação. Entre as soluções, ele cita o fortalecimento das instituições, a exemplo de conselhos estaduais, e o rompimento de relações suspeitas entre os Poderes Executivo e Legislativo por meio de uma candidatura independente.

Para enfrentar problemas estruturais do Estado, como a recuperação de estradas, pontes e ainda o problema da seca que assola a região Sudeste e se agrava a cada ano, Avelar considera que são necessárias ações emergenciais para iniciar, mas que os problemas demandam mais tempo do que um governo provisório, a ser realizado dentro de seis meses. Ele avalia que não há uma obra neste Estado que não seja objeto de projeto mal feito, superfaturamento, desvio e roubo. “A operação Ápia depois de muitos anos demonstrou a eficiência e a capacidade desses políticos de roubar os recursos para pavimentação asfáltica”,

denuncia.

Para problemas como a situação do Igeprev, ele defende a possibilidade de outras formas de financiamento que não seja só a atuarial. Já sobre as dívidas com os servidores, que já ultrapassa a casa de R$ 1 bilhão, o candidato defende a norma constitucional de priorizar concurso como forma de ingresso no serviço público. Quanto a substituir os comissionados, ele diz que irá adotar uma forma racionalizada transparente e sem demissão em massa.

Já a decisão da Justiça de barrar o empréstimo que a Assembleia Legislativa autorizou o governo do Estado a contrair e que foi barrado pela Justiça, ele classificou de necessária para estancar a malversação de recursos. Sem citar nominalmente o governador Mauro Carlesse (PHS), Avelar enfatiza: “Eu nunca vi na minha vida um cidadão com 200 processos. Eu nunca vi, deve ter, mas eu nunca vi.”.

Sobre a execução de obras, o candidato a governador avalia que o governo precisa ser mais eficiente na gestão para não perder recursos como o destinado pela União para construir o Presídio na Serra do Carmo. “Invariavelmente, o Estado do Tocantins perde recursos da União, como neste caso do fundo penitenciário”, considera.

Já para fomentar o esporte, ele diz que seu governo deve instituir fundos para o setor e tratar o tema como ferramenta social. “Não é a hora de fazer obras faraônicas”, assevera.

Entendimento análogo ele faz em relação ao fomento à cultura e ao turismo, onde ele diz que é preciso entendimento entre governo do Estado e com os representantes do setor.