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Restaurante gourmet é inaugurado em presídio de Cartagena, na Colômbia

Detentas, algumas condenadas por homicídio, servem as refeições. O jantar é servido no pátio da prisão de segurança mínima

Pixabay
Imagem ilustrativa

Um novo restaurante está fazendo sucesso entre os visitantes de Cartagena, popular cidade turística da Colômbia. Com o nome de Interno, fica dentro da penitenciária feminina de San Diego, a poucos quarteirões de hotéis cinco estrelas da cidade.

Desde dezembro do ano passado, as detentas, algumas delas condenadas por homicídio, servem refeições gourmet –um experimento que tem o objetivo de promover a reabilitação e enfrentar a negligência dos colombianos em relação à população carcerária.

O ceviche de robalo e o tabule feito com quinoa andina estão entre as receitas oferecidas por chefs colombianos renomados. O jantar é servido no pátio da prisão de segurança mínima, onde as detentas estavam acostumadas a comer refeições sem gosto, servidas em bandejas descartáveis. Para receber os convidados, o local foi decorado com um mural na parede e pompons rosas nas grades.

O Interno foi inspirado no restaurante InGalera, que funciona dentro de uma penitenciária em Milão, na Itália. É uma iniciativa do Teatro Interno, uma fundação colombiana liderada pela atriz de TV Johana Bahamon, que realiza oficinas de teatro em prisões de todo o país.

Em San Diego, chefs renomados, como Henry Sasson e Koldo Miranda, realizaram workshops para ensinar as 170 detentas a fazer pães e sobremesas sofisticadas. Cerca de 20 delas assistiram ao curso até o fim e, agora, recebem os visitantes com lenços coloridos na cabeça. Luz Adriana Diaz, coordenadora do restaurante, disse que a parte mais difícil foi convencer as mulheres a acreditarem em si mesmas.

"Na prisão, você às vezes fica irritada ou agressiva e se pergunta: 'será que realmente vale a pena fazer alguma coisa?'", afirmou Isabel Bolano, uma mulher de 62 anos que aguarda julgamento por supostamente pertencer a um grupo paramilitar de direita. "Todas temos corações frágeis. Qualquer coisa pode nos quebrar."

Karen Paternina, 27, acusada de extorsão, disse que espera que as novas habilidades culinárias a ajudem a abrir uma confeitaria quando sair da prisão. "Trabalhar com outras pessoas pode ser difícil porque pensamos diferente, mas também é muito legal aprender com elas", afirmou.

Na Colômbia, onde há um medo generalizado em relação à população carcerária, uma mudança de comportamento também é visível nos turistas que aparecem para jantar e, muitas vezes, aproveitam para tirar selfies com as detentas­ garçonetes.

"É uma experiência nova", disse Rebeca Rodriguez, que jantava no Interno pela primeira vez. "Nós que estamos do lado de fora temos que aprender a valorizar quem está aqui dentro."

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