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Livro da década de 1970 é apontado como guia para criptografias deixadas por estudante desaparecido

Código "marciano" no "O Manual do Escoteiro Mirim" apresenta semelhanças com os escritos feitos por Bruno Borges antes de seu sumiço, segundo internautas que acompanham o caso

Reprodução/Twitter
O Código Secreto "Marciano", apontado por internautas como guia para a criptografia dos livros e escritos deixados por Bruno Borges

Dentre as várias teorias lançadas nas redes sociais, o livro "O Manual do Escoteiro Mirim" está sendo apontado por internautas que acompanham o caso do sumiço do estudante de psicologia Bruno de Melo Silva Borges, de 23 anos, como uma inspiração para a criptografia das mensagens e livros deixados por ele antes de seu desaparecimento, em Rio Branco, capital do Acre, no final de março.

Contando as aventuras dos sobrinhos do personagem Pato Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho, o livro, lançado na década de 1970, foi criado a partir de histórias em quadrinhos. Nele, curiosidades como o alfabeto em código morse, orientação pela posição do sol e um chamado "código marciano" são apresentadas. Este último item, de acordo com as observações vistas em postagens de internautas, se assemelha com os códigos deixados por Bruno em escritos nas paredes de seu quarto e nos 14 livros que escreveu. Quadros no cômodo onde o estudante vivia deixaram explícito seu interesse por ufologia.

Entenda o caso

O estudante de psicologia Bruno de Melo Silva Borges, de 23 anos, está desaparecido desde o dia 27 de março, quando foi visto pela última vez em um almoço de família.

Além do fato do sumiço, o que chama atenção nesse caso é o quarto do rapaz, sem móveis, com escritos impecáveis, com precisão e simetria, uma estátua do filósofo, teólogo, frade e escritor italiano Giordano Bruno (1548-1600), orçada em R$ 7 mil, símbolos gnósticos e 14 livros criptografados escritos por ele mesmo e identificados por números romanos.

O quarto de Bruno ficou trancado por 24 dias enquanto os pais viajavam de férias. Quando o pai do jovem, o empresário Athos Borges, retornou do trabalho e não encontrou o rapaz, ele abriu o quarto e viu as mudanças. "Eu entrei lá e não vi a cama, não vi nada, só vi aquilo tudo. Naquele momento eu vi que o Bruno tinha ido embora", disse Athos.

Na ausência dos pais, Bruno ficou com o irmão gêmeo Rodrigo Borges e a irmã mais velha, Gabriela Borges. "Ele falava que era o projeto dele, eu questionava o porquê que não poderia saber o que era o projeto e ele me disse que iria me contar o que era em duas semanas. As pessoas falam porque que você não foi lá e abriu aquela porta? As pessoas têm que entender que não se tratava de uma criança, é um adulto e tem a privacidade dele. Me incomodava, mas eu não podia arrombar a porta", contou Gabriela.

Em sua linha de investigação, a Polícia Civil do Estado do Acre acredita que o estudante saiu de maneira voluntária de casa e que sua volta deve acontecer em breve. O delegado geral, Carlos Flávio Portela, disse que Bruno levou consigo um celular ainda não utilizado, um HD e algumas peças de roupa.

Dois amigos do rapaz revelaram à Polícia Civil que ele já havia demonstrado a intenção de ficar isolado durante um período de tempo, sem revelar o local. O interesse em sumir teria sido expressado, inclusive, em algumas das mensagens criptografadas deixadas por ele.

Reprodução/Rede Amazônica Acre
Paredes do quarto de Bruno
Arquivo pessoal
Bruno posa em fotos ao lado do artista plástico Jorge Rivasplata e mostra a estátua de Giordano Bruno encomendada e encontrada em seu quarto após seu desaparecimento
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