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Rabello, do BNDES, é alvo de ação da PF

Além de Rabello, foram alvos da Pausare o ex-presidente do Postalis, Alexej Predtechensky, o empresário Milton Lyra e Arthur Pinheiro Machado

BNDES/Divulgação

O presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, foi um dos alvos da operação Pausare, que investiga desvios no fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis. A operação teve início nesta quinta-feira, 1, e continua nesta sexta-feira, 2, com o cumprimento de mais de 100 mandados judiciais no Distrito Federal, São Paulo, Alagoas e Rio de Janeiro.

Além de Rabello, foram alvos da Pausare o ex-presidente do Postalis, Alexej Predtechensky, o empresário Milton Lyra, apontado como operador do senador Renan Calheiros (MDB-AL), e Arthur Pinheiro Machado, cujas empresas receberam aportes milionários do Postalis. Responsável por gerir recursos do fundo, o banco americano BNY Mellon teve um mandado de prisão expedido contra seu ex-presidente José Carlos de Oliveira. Os investigadores apontam o executivo como um dos principais responsáveis pelos investimentos irregulares do Postalis.

No caso do presidente do BNDES, um endereço ligado a ele no Rio foi alvo de buscas dos policiais federais. Como estava em Brasília, ao ser informado, ele se dirigiu até a sede da PF, onde prestou depoimento. O motivo da busca e apreensão contra o endereço atrelado a Rabello foram as citações em relatórios de órgãos de controle sobre a atuação da SR Rating em investimentos suspeitos do Postalis. Rabello é sócio e, atualmente, está licenciado da SR Rating para poder atuar no BNDES.

A empresa avaliou para o Postalis a aquisição de créditos mobiliários no valor de R$ 109 milhões da empresa Mudar Master Participações. A suspeita sobre a empresa de rating é de que essa avaliação tinha como finalidade dar apenas uma aparência legal aos investimentos supostamente fraudulentos. Rabello e outros três executivos da SR seriam os responsáveis por esses relatórios.

A operação Pausare é resultado de uma atuação conjunta da PF e do Ministério Público Federal (MPF). Segundo os investigadores, a operação é consequência de um conjunto de auditorias de órgãos de controle encaminhados ao MPF, que "identificaram má gestão, irregularidades e impropriedades na aplicação dos recursos do Postalis".

Rombo. Segundo a PF, a má gestão dos recursos do fundo é responsável pelo déficit acumulado de cerca de R$ 6 bilhões no Postalis, o que exigiu que os Correios e os funcionários da estatal tivessem de aumentar as contribuições extras para equacionar o rombo.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, o MPF afirmou que a atuação do grupo criminoso no Postalis "consistiria no desvio sistemático dos recursos garantidores dos planos de benefícios dos empregados dos Correios para favorecer dirigentes do fundo de pensão, empresas de avaliação de risco, instituições financeiras, gestores, administradores de fundos de investimentos, agentes e empresários que recebem as aplicações".

Entre os investimentos investigados estão a aplicação de R$ 223,4 milhões no Fundo de Investimento em Participações (FIP) ETB, que envolvia o projeto Nova Bolsa; as emissões de Cédulas de Crédito Imobiliário da Mudar Master II Participações S/A, adquiridas no valor total de RS109,8 milhões, e o investimento de R$ 190 milhões na FIP Bionergia, vinculado ao Grupo Canabrava.

O empresário Arthur Pinheiro Machado, por meio de nota, refutou "de forma veemente, as acusações veiculadas na imprensa" e disse estar à disposição das autoridades competentes". O Estado procurou o advogado José Luis Oliveira Lima, responsável pela defesa de Predtechensky, mas ele não respondeu aos contatos da reportagem.

Milton Lyra, por meio de sua assessoria, disse que "nunca foi intermediário de qualquer repasse a congressistas" e "tampouco teve qualquer tipo de negócio com o fundo Postalis." A SR Rating informou que aprovou, entre 2009 e 2010, "operações de crédito realizadas para o Grupo Mudar" e que "por norma, as agências de classificação de risco não têm acesso a informação sobre os futuros compradores, entre eles o Postalis".

De acordo com a empresa, Rabello é sócio da SR mas está licenciado desde junho. "A SR Rating reafirma a qualidade técnica e a independência das operações classificadas pelo seu comitê." O BNY Mellon confirmou ter sido alvo da operação e disse estar "cooperando integralmente com as autoridades". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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