Em operação em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal cumpriu ontem três mandados de busca e apreensão em Araguaína, no Norte do Estado. Segundo as investigações, um grupo especializado em fraudar o seguro-desemprego agia há pelo menos três anos na cidade e já teria desviado cerca de R$ 270 mil dos cofres públicos.

A fraude funcionava como uma engrenagem com a participação de membros em várias frentes. Segundo a polícia, o grupo criava empresas falsas e recrutava outras pessoas que cediam documentos pessoais como RG, CFP e Carteira de Trabalho para firmar falso vínculo empregatício.

“Eles davam baixa na carteira, demitindo esses falsos empregados. A pessoa que cedia os documentos sacava a primeira parcela do seguro e ficava com esse dinheiro”, explicou o delegado da PF, Omar Peplow. Ainda conforme o policial, o restante das parcelas era destinada aos mentores do grupo.

De acordo com a polícia, suspeitos chegavam a exibir o dinheiro da fraude nas redes sociais. O valor das parcelas do benefício chegava ao teto máximo do seguro-desemprego que é R$ 1.385,91. Dessa forma, o montante pago pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) causou um prejuízo de mais de R$ 270 mil reais aos cofres públicos.

Ao longo das investigações a PF e o MPF verificaram 93 vínculos trabalhistas fraudados, todos ligados a duas falsas empresas em nome de Everton Antonaci Araújo e Maria Carolina de Campos Ferreira, de acordo com informações da PF. Eles foram ouvidos pela polícia e liberados em seguida.

Crime

Os suspeitos serão indiciados por crimes de estelionato majorado e associação criminosa. A pena pode chegar a nove anos de prisão. O outro suspeito conduzido à delegacia da PF, em Araguaína, não teve o nome divulgado pelos policiais.

Ainda segundo a polícia, cerca de 200 pessoas podem estar envolvidas, a maior parte seria falsos trabalhadores. As investigações continuam e o MPF vai tentar recuperar parte do dinheiro sacado através do esquema. “Nós esperamos que as pessoas que sacaram esse dinheiro procurem a Agência Regional do Trabalho e Emprego, em Araguaína, para ressarcirem os valores recebidos de forma indevida”, afirmou o procurador federal Aldo de Campos Costa.

Recorrentes

A Operação foi batizada de Miríades - palavra de origem grega que significa aquilo que não tem fim. O nome é uma alusão ao fato de alguns suspeitos do grupo já terem sido condenados pelo mesmo crime em 2010.