O vice-cônsul do Brasil em Santa Elena do Uairen, na Venezuela, Ewerton Oliveira, acaba de cruzar a fronteira em Pacaraima num veículo oficial para buscar suprimentos aos cerca de 70 brasileiros retidos no país vizinho. Eles estão abrigados na representação diplomática à espera de um aval de Caracas para voltar ao País. "Eles ainda não vão sair. Eu vim buscar alimentos e água", disse, ao Broadcast Político.

O vice-cônsul chegou a conversar com um oficial das forcas armadas bolivarianas na linha de fronteira. Ele esta acompanhado de oficiais brasileiros do Exército.

O encontro ocorreu quando um grupo de militantes chavistas veio da Venezuela até a linha de fronteira com o Brasil em Pacaraima fazer um manifesto gritando "Pátria Livre!". O regime de Nicolás Maduro tenta gravar imagens para convencer seu povo de que há normalidade na fronteira. Civis foram transportados em ônibus escolares para limpar e fazer pequenos reparos na estrada, danificada nos confrontos.

O Exército Brasileiro impediu que a imprensa nacional registrasse a atividade.

Turistas

Um grupo de turistas brasileiros passou a madrugada desta terça-feira, 26, no vice-consulado em Santa Elena do Uairén, cidade venezuelana mais próxima de Roraima. Eles tentam retornar ao País e escapar do fechamento da fronteira decretado na quinta-feira, 21, pelo presidente bolivariano Nicolás Maduro.

A representação diplomática brasileira aguarda um comunicado de Caracas para iniciar o traslado do grupo em ônibus. Só com esse aval os militares chavistas abrirão a passagem na fronteira. Muitos turistas que faziam compras ou visitavam amigos dormiram no chão do vice-consulado para não perder a preferência na fila de inscrições, que teria mais de 70 nomes.

Tratativas semelhantes deram certo para permitir a passagem de um grupo de 25 turistas que fazia caminhada por oito dias no Monte Roraima, e também ficou retido em Santa Elena, onde se depararam com um cenário de destruição e confrontos no retorno. 

Com uma autorização especial obtida após apelos diplomáticos e tratativas militares, eles foram escoltados pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB) até o lado brasileiro da fronteira.

A maior parte dos brasileiros havia atravessado a fronteira antes da quinta-feira, quando Maduro antecipou-se a uma tentativa de envio caminhões com suprimentos e medicamentos. A ação foi articulada por opositores do chavismo, liderados pelo presidente interino autodeclarado Juan Guaidó, e com apoio de Brasil, Colômbia e Estados Unidos. 

Os brasileiros tiveram de permanecer na cidade durante os conflitos entre militares e paramilitares leais a Maduro e venezuelanos insatisfeitos. Autoridades locais falam em 25 mortos e mais de 80 feridos na cidade de Santa Elena de Uarién.