-Imagem (1.1843997)A falta de tempo, problemas para se deslocar no trânsito ou a segurança em ser atendido por um determinado psicólogo são os principais motivos que levam as pessoas a optarem por terapia online. Esse tipo de atendimento é autorizado desde maio de 2018 pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a medida aumentou a demanda em todo o País por psicólogos online, seja por meio de vídeochamadas ou outros meios como mensagens e áudios. Para a nutricionista Bárbara Paixão, 22 anos, o que a fez migrar do atendimento presencial para o online é justamente a adequação de horários. “Eu fazia sessões presenciais e gostava muito, mas não conseguia encaixar os horários e, na online, é mais flexível, então eu consegui adequar na minha agenda”, explica a paciente.Bárbara mora em Palmas e menciona que faz terapia há 40 dias com um psicólogo do estado de São Paulo, o qual ela já acompanhava pelas redes sociais há um tempo e se identificava. Ainda em fase de teste para ela, a nutricionista elenca como vantagem principal a praticidade nesse método. “Está sendo maravilhoso, não senti muita diferença entre a presencial e a online e tenho a vantagem de ter o atendimento no conforto da minha casa, no lugar em que eu estiver, e não preciso me deslocar até um consultório porque fazemos via Skype”, destaca.Já no rol das desvantagens, Bárbara disse que é necessário ter uma internet muito boa para não haver falhas durante a terapia e também um lugar com privacidade. “Já aconteceu só uma vez de ter falhas na conexão enquanto eu estava sendo atendida e atrapalhou um pouco, mas não precisamos parar a sessão. Agora é preciso estar em um lugar seguro e que se sinta confortável pra falar sem medo de alguém entrar ou ouvir”, elenca.TocantinsAo ser procurado na última terça-feira, 16, o Conselho Regional de Psicologia (CRP) não respondeu quantos profissionais atuam no meio online no Tocantins, mas há um crescimento nítido desse tipo de atendimento. A psicóloga Edjane da Silva Bomfim, de 25 anos, que segue a abordagem cognitivo comportamental, adotou esse formato para continuar atendendo seus pacientes da Bahia após ter mudado para Palmas, em janeiro deste ano.Para atender por meio da internet, a psicóloga fez cursos e um cadastro no CRP para ser autorizada pela entidade, tudo dentro dos termos da resolução. “Para fazer terapia online, precisei estudar, entender tudo o que precisava para atuar com segurança nesse meio e ter credibilidade entre os meus pacientes, não foi de uma hora pra outra”, comenta.Segundo Edjane, a grande surpresa ao chegar na Capital foi perceber que moradores de Palmas começaram a procurar pelo seu atendimento no formato online. “Eu pensei que teria mais adesão dos meus pacientes e conhecidos nos outros estados, mas muita gente em Palmas busca mais praticidade, por não precisar enfrentar o trânsito ou pela falta de tempo e necessidade de ajuda profissional”, explica a psicóloga.A especialista garante que, se feitas dentro dos limites impostos pelo CFP, as sessões onlines são seguras, já que existem plataformas específicas para esse atendimento. “Ao começar o atendimento online, investi em uma boa plataforma para fazer as sessões, uma internet potente e um antivírus realmente eficiente. Esses são alguns artifícios que ajudam a dar segurança tanto para o psicólogo quanto para o paciente, deixando os atendimentos sigilosos”, destaca Edjane.Além disso, outro ponto é o custo/benefício. Em geral, os atendimentos online tendem a ser mais baratos, por não ter a necessidade de manter um consultório para atendimentos presenciais e o investimento deve ser mais voltado para bons equipamentos e segurança. Segundo Bárbara, esse também foi um fator vantajoso. “Quando eu fazia terapia presencial era bem mais caro, então ter optado pelo psicólogo online me fez economizar”, afirma.ConselhoPara o Conselho Federal de Psicologia, a resolução se fez necessária devido ao avanço da comunicação on-line e das tecnologias. A discussão sobre a temática vinha sendo feita desde 2005, quando a entidade autorizou até 12 sessões de orientações psicológicas, porém sem atendimentos clínicos. Em 2012, outra resolução ampliou o atendimento para até 20 sessões.Com a última resolução, de 2018, os psicólogos não tem limitações quanto ao número de sessões ou tipo de tratamento, seja apoio, orientação, avaliação ou atendimento clínico.Quem podeA maioria dos públicos pode ser atendida por um psicólogo online, salvo alguns casos vedados pelo CFP. De acordo com a nova resolução, os profissionais não podem fazer sessões online com grupos de pessoas que passaram por desastres ou violência, bem como é considerado inadequado o atendimento por meio da internet àqueles que podem passar por situações de urgência e emergência, como pacientes com depressão profunda ou com risco de cometerem suicídio. Em casos de crianças ou adolescentes, deve-se ter o consentimento expresso de um dos responsáveis legais para a terapia no formato online. Os psicólogos também não podem atender pessoas nascidas em outros países, somente brasileiros que estejam morando no exterior.-Imagem (1.1843988)