“Por que tudo é branco?”, questionava Muhammad Ali, lutador de boxe e uma das liderancas do movimento negro nos Estados Unidos. O personagem ganha corpo e voz hoje por meio do ator Babu Santana, 40, um dos protagonistas de Falas Negras, especial do Dia da Consciência Negra que será exibido pela Globo. Dirigido por Lázaro Ramos e idealizado pela escritora Manuela Dias - a mesma que assina Amor de Mãe -, o programa intercala depoimentos reais de pessoas que lutaram contra a escravidão, segregação racial, racismo e intolerância em busca de justiça e representatividade. São textos históricos e que marcaram épocas de 22 nomes do movimento negro mundial, entre eles a ativista Rosa Parks, vivida pela atriz Barbara Reis, o escritor nigeriano Oluadah Equiano (Fabrício Boliveira), o geógrafo brasileiro Milton Santos (Ailton Graca) e a vereadora Mariele Franco (Taís Araujo). Quase oito meses depois de sair da casa do Big Brother Brasil, Babu, que já sonhou em ser lutador, fez uma imersão na vida de Muhammad Ali. Em seu canal do YouTube, com mais de 100 mil inscritos, o ator promove entrevistas, discussões e debates sobre consciência e respeito. Um dos personagens mais queridos do BBB, Babu também acompanhou o movimento do Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), e viu as diversas mulheres negras eleitas em cargos políticos nas recentes eleições municipais. Em entrevista ao POPULAR, o artista fala sobre trabalhos, movimento negro, espaços de representavidade e BBB.

 

Como foi o processo de imersão para dar vida ao lutador Muhammad ALi?

Mergulhei em muitas pesquisas, busquei referências e me preparei fisicamente com treino de boxe, dieta e tudo mais. Além disso, tivemos um roteiro e uma equipe muito primorosa que cuidou de tudo nos mínimos detalhes, desde as falas, trejeitos, voz, enfim. Foi um trabalho bem grande, mas muito especial. Eu já quis ser lutador e hoje estou dando vida a um dos maiores do mundo. Não poderia ser mais emocionante. Quando o vejo falar, simplesmente sinto sua força e luta.

 

Babu, 2020 tem sido um ano importante para as discussões sobre representatividade, respeito e consciência negra. De que forma você enxerga a expansão dessas pautas?

Sim, tivemos muitos acontecimentos que fizeram essa discussão tornar-se maior, mas lembrando que esses acontecimentos sempre existiram; porém, agora está sendo filmado. Acho que a expansão desses assuntos fazem as pessoas pensarem duas vezes antes de falar ou fazer qualquer coisa, mas estruturalmente ainda temos muitos problemas que ainda vão demandar muito tempo para serem resolvidos.

 

Nas eleições municipais, o País teve um número expressivo de mulheres negras eleitas nas Câmaras de Vereadores. Ao mesmo tempo, diversos projetos culturais focam e discutem a inserção do negro como protagonistas de suas próprias histórias. Qual o papel desses projetos para a representatividade preta?

São necessários. Se não tem quem fale por nós, como seremos ouvidos? Estamos em um País onde a maioria da população é negra e ter essa representatividade em cargos públicos é necessário! O povo preto tem de ocupar os espaços de poder, dialogar, se juntar, se engajar. Não ceder ao que é de direito.

 

O próprio BBB, um dos programas de maior audiência na TV brasileira em 2020, foi conquistado por uma mulher negra. Como você enxerga a vitória de Thelma?

Também necessária. Era uma vitória, ali, de todas as pessoas pretas. É um sentimento de pertencimento ao mundo. E só um preto entende isso.

 

Passados estes meses pós-BBB, como tem olhado para as situações ao seu redor em relação a trabalho?

Estou gravando Salve-se Quem Puder. Tem a estreia de Falas Negras e, também, sigo com uma programação especial no meu canal no YouTube. Este mês, o conteúdo é todo voltado a diabetes e consciência negra.