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Sônia Braga diz que seu papel em 'Aquarius' foi 'o melhor roteiro' com que já trabalhou

Em Lima (Peru), o filme ganhou o prêmio especial do júri e a brasileira o prêmio de melhor atriz

Divulgação
Sônia Braga

A atriz Sônia Braga, um dos principais ícones femininos do cinema brasileiro, afirmou neste domingo em Havana que seu papel como protagonista no filme brasileiro "Aquarius" foi um "presente muito grande" e "o melhor roteiro" com que já trabalhou aos 65 anos de idade.

Braga encarna o personagem central de "Aquarius", sob a direção de Kléber Mendonça Filho, uma dos filmes que representam o Brasil no concurso da 38ª edição do Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana.

A diva do cinema e da televisão, que há vários anos vive em Nova York (EUA), revelou em entrevista coletiva que este filme se apresenta em "um momento muito importante para a vida dos brasileiros", após a cassação da presidente Dilma Rousseff e da chegada à Presidência de Michel Temer.

"Estamos vivendo uma vida muito perigosa, é a primeira vez que vi a Brasil tão dividido", comentou a atriz que há 40 anos ficou mundialmente famosa com a personagem do escritor Jorge Amado no filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos", dirigido por Bruno Barreto.

"É um retrocesso muito grande em tudo o que fizemos todos os sonhos, em todas as conquistas, da mulher, dos gays, da abertura com a imprensa (...)", opinou ao se referir à situação atual do Brasil.

Em seu último filme, Sônia Braga é Clara, uma mulher aposentada que se recupera de um câncer de mama e última residente do "Aquarius", um prédio original de 1940 situado em uma área de classe alta junto ao mar na cidade de Recife, do qual se nega a sair, apesar de uma empresa construtora comprou todos os departamentos, exceto o seu.

"A equipe trabalhou muito forte, com muita vontade e muito coração", declarou a diva brasileira, considerando o roteiro de seu último filme como "o melhor" que fez em sua idade atual.

O filme de Kléber Mendonça Filho chega ao Festival de Havana após se apresentar com sucesso de crítica no Festival de Cannes de 2016 e em outros da região como o de Mar del Plata (Argentina) e o de Lima, onde ganhou o prêmio especial do júri e Braga o prêmio de melhor atriz.

Pela primeira vez no Festival de Havana, a atriz lembrou o começo de sua carreira artística aos 14 anos na televisão do Brasil, onde participou de várias telenovelas, além de filmes no cinema.

Em sua filmografia se destacam títulos como "Gabriela, Cravo e Canela" (1983), também escrito a partir de um livro de Jorge Amado e coprotagonizado pelo ator italiano Marcello Mastroianni, e "O Beijo da Mulher Aranha" (1985), de Héctor Babenco, que valeu a Braga sua primeira indicação ao Globo de Ouro.

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