Os belos cenários tocantinenses estarão novamente nas telonas de cinema em breve. Desta vez com o longa-metragem O barulho da noite, da cineasta tocantinense Eva Pereira. As filmagens começam amanhã em uma fazenda próxima à Capital, que contam com um cenário cenográfico construído especialmente para o trabalho.

A trama do filme foi escrita por Eva há mais de 15 anos e amadurecida ao longo dos tempos. “Surgiu de uma inquietação que tive quando visitei o interior do Estado e que acabou rendendo sete anos de pesquisas. Não digo que é um filme baseado em fatos reais, mas é fundamentado na pesquisa”. A obra apresenta uma situação de desencontros entre um casal que é visto pelos olhos das filhas. “O filme é drama intimista familiar contado pela perspectiva das crianças”, resume.

"A cultura tocantinense estará bem representada no filme” - Eva Pereira, diretora

Elenco

As protagonistas do filme Maria Luiza e Ritinha são vividas por duas atrizes mirins, a Alice Samanta, de 8 anos (Mateiros), e a Ana Alice de 4 anos (Miracema), respectivamente. “Além das meninas, mais seis atores do Estado compõem o elenco. Outros quatro membros do núcleo principal são de fora. Também teremos como figurantes integrantes da folia do Divino, já que o pai das meninas, Agenor, é folião”, relata, ao lembrar que na obra ritmos próprios da região serão apresentados como as músicas das folias e sússia, além de composições de artistas regionais como Leo Pinheiro e Antista do Acordeon.

Agenor será interpretado pelo ator global Marcos Palmeira e a mãe das crianças Sônia será vivida por Emanuelle Araújo. Um terceiro personagem, o sobrinho de Agenor, vivido por Patrick Sampaio, que terá um papel crucial na história. “Na verdade não vai ficar claro se realmente é o sobrinho ou um desconhecido. Ele chegará à história quando o pai sai para o giro da folia por 40 dias e terá um papel de aumentar o conflito entre Agenor e Sônia”, relata.

Verba nacional

O filme é da produtora MZM Filmes com coprodução da paulista Bananeira Filmes e foi um dos vencedores do edital Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Brasileiro (Prodecine 01), do programa Brasil de Todas as Telas, da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Ao todo foram 40 contemplados e a produção a única tocantinense, tem investimento de R$ 2 milhões.

Mão-de-obra

“Uma das coisas mais importantes é que o orçamento de R$ 2 milhões que temos para o filme ficará grande parte no Estado”, relata Eva Pereira ao contar que optou por trabalhar com um elenco e mão de obra, majoritariamente locais, com o auxílio de fora. “Ainda não temos toda a mão de obra e material necessários disponíveis e qualificados, além de toda a experiência de grandes nomes para ajudar neste trabalho”.

Um desses auxílios, conforme Eva, vem de Fabricio Tadeu, que fará a direção de fotografia. “Quando conheci o projeto tive grande afinidade e ele tem um espaço para uma fotografia boa e de responsabilidade”, relata Tadeu ao afirmar que a densidade entre as relações dos personagens devem ser contadas pela fotografia.

Quem concorda com Tadeu é Tarcília Jacob, produtora executiva vinda da Bananeira Filmes, que afirma que o trabalho por abordar temas importantes requer cuidados, inclusive na fotografia. “Temos belezas naturais que serão retratadas durante as quatro semanas de gravação”.