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De Roma a Veneza: um olhar para a Toscana

A beleza de uma região com lembranças medievais faz com que a visita se transforme numa viagem no tempo

Estátua de Davi, de Michelangelo, exposta na Galleria dell’Academia, em Florença

Quando um amigo que acabara de chegar da Itália (Europa) disse que havia realizado a melhor viagem de sua vida, confesso que fiquei um tanto quanto impressionado, afinal, ele é conhecedor de vários países mundo afora, e se realmente estivesse falando a verdade, bem que poderia dar uma passada na terra que sempre me trouxe um sentimento de relações mafiosas. Dessa forma, já que estava de viagem marcada para a Europa, decidimos, minha esposa e eu, dar um pulinho até o país da botinha (veja mapa mundi), e assim o fizemos. Depois de planos, pesquisas na internet, organização de roteiro e orçamento, lá fomos para Itália.

Reservamos sete dias para uma viagem de carro, tendo a cidade de Roma como ponto de partida e regresso. Alugamos um carro no aeroporto de Roma, e já no primeiro dia em solo romano, realizei um sonho antigo, conhecer o Anfiteatro Flávio, ou simplesmente Coliseu de Roma. Realmente um colosso. Andar por aquelas arquibancadas erguidas há quase dois mil anos me trouxe uma sensação de fragilidade, o que somos nós? Pobres seres mortais, diante de séculos e milênios sustentados em pilastras de pedras esculpidas por pedreiros artesãos. Mas, deixando a filosofia de lado, vale a pena conhecer aquele gigante, mesmo tendo que enfrentar filas quilométricas.

No dia seguinte, GPS em punho (não pode faltar), pegamos a estrada. E nosso veraneio pela antiga terra da civilização etrusca se deu por estradas secundárias, pontilhadas no seio de belas florestas formadas por ciprestes milenares, campos de videiras e oliveiras, castelos, cidades rodeadas por muralhas, um símbolo histórico medieval; uma paisagem de filme, aqueles que víamos quando criança na Sessão da Tarde, da Rede Globo, e que ficaram eternizados em nossas mentes. Assim, nossa viagem seguiu. Durante seis dias, visitamos cerca de 12 cidades, sendo que a primeira parada foi em Orvieto, que fica no pé de uma montanha, a qual traz encravada em seu cume uma cidadela impressionante e imperdível: Civita di Bagnoregio. Em seguida vieram, entre outras, Siena, Bolonha, Arezzo, Assis, Maranello (a terra da Ferrari), Florenza, Padova, a charmosa Veneza, com suas gôndolas e ruas alagadas; e a Praça de São Marcos (Piazza San Marco), onde aves (pombos) e pessoas se misturam em perfeita harmonia.

Seis dias que valeram uma vida, pelo encanto de conhecer lugares que foram nascedouros e frequentados pelos mestres da Renascença, de conhecer a casa onde Dante Alighieri viveu do paraíso ao inferno em sua divina comédia; onde Leonardo da Vinci expressou sua sensibilidade em tantas obras; onde Michelangelo sonhou o seu Davi e que Maquiavel projetou sua arte de fazer política; e ter sob seus pés a terra de Galileu Galilei, um dos principais personagens na revolução cientifica, é surreal. Uma riqueza artística em milhares de monumentos, onde as principais igrejas do mundo estão instaladas. Destaque para a Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Duomo (catedral de Florença), em Florença, a de Basílica de São Francisco, em Assis, ou até mesmo a Basílica de Santo Antônio, em Padova.

A Itália é realmente um país encantador, com um povo cuja latinidade se assemelha a do brasileiro como bons anfitriões. Para fechar, um adendo, se for visitar a Itália, faça a escolha por meses fora do verão europeu, pois o sol é escaldante e as temperaturas altíssimas, análogas as tocantinenses, isso pode atrapalhar um pouco as caminhadas. Enfim, uma viagem dos sonhos, emocionante, romântica, e um hibridismo de tudo isso, com um gostinho de quero mais.

 

 

 

Praça de São Marcos, em Veneza, é um bom ponto de partida para conhecer a cidade
Passeio de gôndola em Veneza deve entrar no roteiro do viajante
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