Estado

Advogados de médico afirmam não ter acesso à investigação

O laudo pericial que irá apontar as causas da morte deve ficar pronto nesta segunda-feira, 15; confira os áudios em que a professora pede para que o marido volte para casa

Arquivo pessoal
Médico Álvaro Ferreira da Silva é suspeito de matar a professora Danielle Christina

Os advogados Adelmário Alves dos Santos Jorge, Josefa Barbosa e Laudineia Nazareno que atuam no caso do médico Álvaro Ferreira Silva, principal suspeito de ter matado a ex-companheira e professora Danielle Christina, no último dia 18 de dezembro, afirmaram, durante entrevista ao JTo, que estão sendo impedidos pelo delegado o titular da  Delegacia de Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Pedro Ivo Costa Miranda, de ter acesso aos autos. Segundo eles, nenhuma medida ainda foi tomada em defesa do seu cliente por desconhecimento do processo.  

“Caso nas primeiras horas desta segunda-feira, 15, não consigamos ter ciência do processo iremos acionar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Seccional Tocantins”, afirmou Jorge, acrescentando que pretendem entrar com um pedido de revogação de prisão temporária e, caso não seja atendida, com pedido à Justiça de Habeas Corpus. Ainda não há previsão para realização de audiência, porém o laudo pericial que irá apontar as causas da morte deve ficar pronto nesta segunda-feira, 15.

“A forma como o delegado está agindo é arbitrária, pois ainda não há certeza nos autos, o laudo ainda não saiu. Ele nos negou informação do recambiamento do nosso cliente e só fomos informados porque ligamos na delegacia de Anápolis (GO)”, ressaltou Jorge.

Contradições

Segundo Jorge, o médico não foi preso pela primeira, no dia 16 de dezembro, por descumprir medida protetiva. “Ele foi preso por desacato de autoridade, visto que ambos, ele e a professora Danielle, oficializaram a união estável no dia 11 de dezembro. Como pode haver medida protetiva se eles se casaram? Inclusive ela disse ao nosso cliente, por meio de áudios, que iria pedir para que o advogado suspendesse a medida protetiva e a Maria da Penha. Há a hipótese de suicídio”, frisou. 

Nos áudios da professora, disponibilizados ao JTo pelos advogados do suspeito, a vítima pede para que o marido volte para casa.

“Álvaro, qualquer coisa me passa um whatsapp. Não vai passar mal sozinho aí. Na idade em que você está, você não pode ficar sozinho. Esse é um dos motivos para você voltar logo para cá.  Eu estou tentando falar com o Alecrim para ele  finalizar esse processo para você voltar para cá o mais rápido possível”, falou Danielle.

Conforme os advogados, o suspeito sofre de vários problemas de saúde como hipertensão e esclerose múltipla.  “Só tivemos acesso a ele no dia em que ele chegou”, disse Jorge. Ainda segundo os advogados, o médico não se apresentou antes à Justiça, pois estaria recebendo ameaças. 

Entretanto, o delegado afirmou que a pedida protetiva só perde efeito caso seja revogada pelo juiz. “O processo corre em segredo de Justiça é por isso que os advogados ainda não tiveram acesso. Eles pediram à Justiça, no último dia 10, para obter conhecimento dos autos, porém o juiz ainda não se posicionou. No dia em que ele foi preso pela primeira vez e foi liberado em seguida, o juiz decretou novamente medida protetiva, dessa forma, ele foi detido por descumpri-la e por desacato de autoridade”, destacou Miranda.

O titular disse ainda que trabalha com a hipótese de que outra pessoa possa estar envolvida no crime. “Mas acredito que foi ele. Não há hipótese de suicídio, ela morreu porque foi asfixiada e por esganadura. Eu conversei com o médico que esteve no local”, argumentou.

Questionado se ele buscou imagens do aeroporto para verificar a viagem do médico no dia 18 de dezembro para Salvador (BA), data em que a professora foi morta, o delegado disse que imagens não, mas que já obtiveram informações da companhia aérea. “Ele viajou às 08h31”, disse.   

 

Lia Mara
Dois dos advogados do médico Álvaro Ferreira Silva, Adelmário Alves dos Santos Jorge e Josefa Barbosa
Elias Oliveira
Médico chegando a Palmas após ser preso em Anápolis (GO)
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