Estado

A longa espera por uma cirurgia

Pacientes passam meses internados sem data para realização de procedimento cirúrgico, o que onera em muito os cofres públicos; secretário diz que realidade é fruto de má gestão

O Projeto Opera Tocantins terá início nesta sexta-feira, 18, e a intenção é zerar a fila que já está em quase seis mil pessoas que precisam de cirurgias eletivas em até dois meses, segundo o secretário estadual da Saúde, Renato Jayme. Nessa lista, no entanto, não estão incluídos os mais de 200 pacientes internados na ala ortopédica do Hospital Geral de Palmas (HGP) que estão aguardando cirurgia, na maioria pessoas saudáveis, sem patologia grave e que precisam de uma cirurgia para corrigir um problema no osso, mas estão internadas e ficam incapacitadas por semanas e até mesmo meses sem previsão de quando farão o procedimento.

Muitas dessas pessoas que estão na ortopedia poderiam ser encaixadas na fila de eletivas se não estivessem internadas, uma vez que tais pacientes não correm risco de vida, no entanto sofrem com as dores, além da internação e incapacidade advinda dela sem prazo para passar pela cirurgia e obter alta do hospital.

A Secretaria Estadual da Saúde (Sesau) entende que os pacientes já internados no HGP são prioridade, no entanto, como já estão sendo medicados e com cuidados médicos, terão que aguardar o procedimento de rotina do centro cirúrgico da unidade por tempo indeterminado. “Se estão lá dentro internados é porque estão em regime de urgência e emergência, e estão sendo atendidos diariamente conforme a rotina dos profissionais do centro cirúrgico”, explicou o gestor da pasta, Renato Jayme.

Espera

Quem detém o triste recorde de espera por uma cirurgia ortopédica é Michel Alex Cardoso, 32 anos, que está há oito meses internado no HGP aguardando uma cirurgia no tornozelo. Cardoso deu entrada no hospital no dia 24 de agosto de 2017, com uma fratura exposta no tornozelo, após um grave acidente de motocicleta. O tempo foi passando e, com a demora, as partes ósseas rompidas, que tem uma estrutura viva e capacidade de se regenerar, se consolidaram e colaram de maneira errada, acarretando problemas estéticos e funcionais ao paciente que agora precisará ter o membro quebrado novamente para corrigir a falha óssea.

Até hoje Cardoso ainda não tem previsão de quando será realizado seu procedimento cirúrgico. “Estou aqui esperando uma cirurgia que nunca sai, e quando eu pergunto o que está acontecendo só dizem pra esperar e aguardar, não sei o que vai acontecer e toda vez que procuro saber notícia ninguém sabe me dizer nada”, frisou.

Assim como Cardoso, outros tantos aguardam pelo procedimento que corrigirá o desvio sofrido com a quebra do osso, como Emídio Arnaldo de Sousa, 48 anos, que teve o osso o ombro quebrado em um acidente e está a três meses aguardando cirurgia, sem previsão de quando poderá acontecer. “Anteontem disseram que iam fazer, mas aí disseram que surgiu uma emergência e me desmarcaram”, completou.

Outro que também já completou mês aguardando uma cirurgia ortopédica é o Francisco dos Santos que está a mais de quarenta dias internado no HGP, além dos outros 45 dias que passou internado no Hospital Regional de Gurupi. “Quando eu pergunto quando é minha cirurgia, eles dizem que é logo e nunca acontece, aí nisso estou até hoje aqui sofrendo de dor na cama”, ressaltou o paciente.

A INTERNAÇÃO DE UM PACIENTE QUE COMPLETOU OITO MESES no hospital passa de R$ 240 mil, o QUE PAGARIA 200

CIRURGIAS SIMPLES

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