Senhor do Bonfim: tradição começou há mais de 200 anos e movimenta cerca de R$ 3 milhões na economia
Além de fortalecer a fé e devoção, evento impulsiona os setores de comércio, hospedagem, alimentação, transporte, artesanato e serviços religiosos em Natividade
Fernanda Dias
17 de agosto de 2024 às 08:00
Modificado em 24/08/2024, 20:55

Santuário do Senhor do Bonfim (Márcio Vieira/Governo do Tocantins/Divulgação)
Considerada uma das maiores manifestações religiosas do Tocantins, os festejos do Senhor do Bonfim, em Natividade, no sudeste do Tocantins, movimentam cerca de R$ 3 milhões na economia do município, segundo informou a prefeitura de Natividade.
Com mais de 200 anos de tradição, o evento que teve início na terça-feira (6) e segue até este sábado (17) , conta com missas, novenas, festas, caminhada penitencial, batizados e homenagens ao Senhor do Bonfim.
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Durante o evento, os romeiros saem a pé do município de Natividade até ao povoado do Bonfim. Um percurso de 23km onde os fieis fazem suas orações, agradecendo e fazendo seus pedidos.
Além de fortalecer a fé e devoção, as festividades impulsionam os setores de comércio, hospedagem, alimentação, transporte, artesanato e serviços religiosos no município.
Impactos da romaria no comércio
Para entender como o evento afeta a rotina das vendas, o JTo conversou com a empresária Lívia de Cerqueira Nunes da Silva, que trabalha na Indústria e loja dos biscoitos Amor Perfeito Tia Naninha, localizada em Natividade.
Com o sabor ímpar dos Biscoitos Amor Perfeito, patrimônio cultural e imaterial do Tocantins produzido há mais de 100 anos pela mesma família, a Romaria do Senhor do Bonfim provoca um aumento significativo na demanda durante o evento.
"O movimento nesse período é bem maior, porque são uns quatro dias bem movimentados. Se a gente não tiver um estoque grande, chega até acabar", explica Lívia.
Preparação e ajustes operacionais
A empresária detalha que, para lidar com a demanda extra, é necessário ajustar a equipe e o estoque. "A gente coloca mais uma ou duas pessoas para atender, ficando com três pessoas no balcão para dar o máximo para atender bem os clientes".
Lívia também nota uma alteração nas preferências dos consumidores durante as festividades. "Durante esse período, a procura maior é de alimentação e estadia. As pessoas querem um lugar confortável para dormir, já que no Bonfim só há a opção de acampamento", afirma.
Experiência marcante relacionada à romaria
A empresária compartilha ainda uma experiência marcante relacionada à romaria. "No início de 2008, tivemos que fechar as portas porque o estoque acabou devido ao grande fluxo de pessoas. Foi um momento inesperado e desafiador para nós", lembra.
Ela também menciona que, apesar de trabalhar durante os feriados, como nos dias 14 e 16 de agosto, a loja fecha no dia 15, quando os funcionários participam das festividades. "A gente trabalha aos feriados, menos no dia 15, que aí todo mundo vai assistir a romaria".
Identidade cultural do povoado
Para o professor Adelson Barbosa dos Santos, 31 anos, mestre em história pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), a festa é um momento de reunião para a comunidade, fortalecendo laços sociais e culturais. "Ela celebra a religiosidade local e preserva tradições que são importantes para a identidade dos moradores. A festa também contribui para a coesão social e a valorização das tradições regionais".
Segundo o professor, a Romaria do Senhor do Bonfim tem suas origens no século XVIII, em Salvador, na Bahia. "A tradição começou com a construção da Igreja do Senhor do Bonfim em 1745, por iniciativa dos portugueses que colonizaram a região. a igreja do Bonfim em natividade, faz parte dessa história e seu surgimento remete a lenda ou mitologia de uma santa encontrada naquele local".
Fé e tradição em natividade
O Santuário Diocesano do Senhor do Bonfim tornou-se o epicentro de uma das maiores peregrinações religiosas do Estado. Iniciada no dia 6 de agosto, a romaria percorre 23 km entre a cidade e o povoado do Senhor do Bonfim, reunindo milhares de devotos em uma jornada de fé e devoção.
O Bispo Diocesano de Porto Nacional Dom José Moreira da Silva descreve que a romaria é a junção de romeiros que através da fé, têm o Santuário do Bonfim, uma casa acolhedora para celebrar a fé e agradecer pelas graças alcançadas.
"Uma linda demonstração de fé de um povo simples sertanejo que confia suas vidas ao Senhor do Bonfim, alcançando muitas graças".
O Bispo explica que o festejo tem sua base na cultura sertaneja, após um vaqueiro encontrar a imagem em cima de um toco, levá-la para a cidade de Natividade e, misteriosamente, a peça retornar ao lugar onde hoje está o Santuário do Senhor do Bonfim.
Religiosidade inerente à cultura musical tocantinense
Ele avalia também que a fé e a religiosidade no Bonfim estão inerentes à cultura musical tocantinense, dos cânticos entoados pelos peregrinos durante a caminhada aos louvores que ecoam no santuário, recepcionando os devotos ao som do saxofone.
"A tradição do evento é repassada de geração em geração. Muitos fieis querem homenagear o Bonfim por meio da música. Essa é uma manifestação única no estado e que reúne milhares de pessoas na fé de dias melhores".
Para o bispo, um dos momentos mais fortes da Romaria, é a manifestação de fé dos romeiros. "Que seja a pé, a cavalo, bicicleta, entre outros, percorrem centenas de quilômetros, para pagar suas promessas aos pés da Imagem do Senhor do Bonfim".
A Romaria é organizada pela Diocese de Porto Nacional, que conforme o bispo, exerce a missão de evangelizar.
Projeto de Lei para incorporar ao calendário de eventos do Tocantins, o Dia do Senhor do Bonfim
Nesta quinta-feira (15), o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) informou que pretende discutir com a Assembleia Legislativa um Projeto de Lei para incorporar, ao calendário de eventos do Tocantins, o Dia do Senhor do Bonfim. As informações são do Governo do Tocantins.
O anúncio ocorreu durante a Missa Campal, no Santuário do Senhor do Bonfim, localizado a 24 km de Natividade.
Wanderlei Barbosa disse por meio de assessoria que "com a criação desse feriado estadual, todos os católicos tocantinenses terão a oportunidade de comparecer aos festejos".
A missa foi presidida pelo bispo de Porto Nacional, Dom José Moreira da Silva.
Ainda de acordo com o governo, atualmente, a festa do Senhor do Bonfim é a maior manifestação religiosa e cultural do Tocantins, e reúne milhares de pessoas das mais diversas localidades e de outros estados, como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Brasília e outros.

Governador Wanderlei Barbosa e a primeira-dama Karynne Sotero durante a Missa Campal, no Santuário do Senhor do Bonfim (Márcio Vieira/Governo do Tocantins/Divulgação)

Dom José Moreira da Silva (Diocese de Januária)

Produção de biscoitos artesanais assados no forno à lenha da Indústria e loja dos biscoitos Amor Perfeito Tia Naninha (Reprodução Instagram)
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