Pesquisa científica e preservação ambiental são as principais atividades desenvolvidas no Centro de Pesquisa Canguçu. Fundado em 1999 pelo Instituto Ecológica, o espaço acolhe pesquisadores e turistas que se interessam pelas riquezas e peculiaridades geográficas, ambientais e sócio-culturais da região. A 260 km da capital Palmas, o projeto fica na cidade de Pium. Além de ser um destino para a pesquisa científica, o Canguçu é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), uma iniciativa para a conservação ambiental.O local é coordenado pelo professor e pesquisador Renato Torres da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Ele comenta que o centro de pesquisas tem uma localização estratégica. Está inserido em uma região de elevada diversidade biológica, na transição do Cerrado com a Amazônia, ao lado da maior ilha fluvial do mundo e da maior área úmida do Cerrado.“A importância sócio-ambiental dessa região é tão grande que nela encontramos um complexo de importantes unidades de conservação como o Parque Nacional do Araguaia e o Parque Estadual do Cantão”, relata.Leia também:- Realidade de mulher travesti é tema de filme que será exibido no Cine Cultura- Natividade ganhará roteiro sonoro com uso de QR CodeCom essa localização, o centro conta com espécies que sofrem impactos da pesca e caça, que são de interesse comercial ou medicinal, raras ou endêmicas, que estão ameaçadas de extinção, que são migratórias e assim por diante. “Um prato cheio de opções para os mais diversos tipos de pesquisa”, conta Renato.No entanto, mesmo com os esforços, ainda existem os desafios. A caça e o desmatamento, alimentado pela expansão da atividade agropecuária, representam ameaças significativas à biodiversidade local. Além disso, a contaminação dos rios da região coloca em risco não apenas a vida aquática, mas também a saúde humana e a economia local.“Pesquisas têm apontado que os rios da região como o Formoso, Javaés e Araguaia estão todos contaminados. A contaminação dos rios, por exemplo, ameaça os peixes impactando o meio ambiente, a nossa saúde e a economia”, explica. Pesquisas desenvolvidasDesde o estudo de microrganismos até a observação de aves migratórias, vegetação, abelhas, peixes, jacarés, aves e mamíferos, os pesquisadores do centro trabalham para entender e preservar a rica diversidade biológica da região.“O Centro de Pesquisa produziu em 2019 um e-book referente a biodiversidade da região da ilha do bananal/cantão e atualmente estamos finalizando um segundo livro referente a fauna e flora da RPPN Canguçu”, comenta Renato.O Centro também oferece visitas guiadas e oportunidades para aqueles que querem ver as pesquisas em andamento.Do tupi, akangu'suNo coração da Ilha do Bananal, o Projeto Canguçu recebe seu nome do tupi-guarani "akangu'su", que significa "cabeça grande". O nome é uma homenagem à onça-pintada, o maior felino das Américas e um dos habitantes da região onde fica o projeto. *Morgana Gurgel é integrante do programa de estágio entre Jornal do Tocantins e Universidade Federal do Tocanitns (UFT), sob orientação de Raphael Pontes.