O equipamento foi vendido a Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho, localizado no Setor Aeroporto (Divulgação/Cnen) A maior tragédia radiológica do Brasil começou com um ato de negligência em Goiânia (GO). Em setembro de 1987, o abandono de um aparelho de radioterapia nas ruínas do desativado Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) deu início a uma contaminação que atingiu dezenas de famílias. O brilho azul do material, que inicialmente encantou os moradores, escondia um perigo mortal. Na época, o atual estado do Tocantins ainda fazia parte do norte de Goiás. O acidente começou quando o equipamento foi retirado das ruínas do instituto, localizado na Avenida Paranaíba, no Centro da capital. A falta de fiscalização e o descaso dos donos da clínica deixaram uma cápsula de Césio-137 exposta. Dois catadores de recicláveis encontraram a peça e, pensando ser sucata, a levaram para um ferro-velho. Dias depois, o aparelho foi aberto, liberando um pó radioativo que contaminou centenas de pessoas. Na ocasião, mais de 112 mil moradores precisaram passar por exames de triagem.