“Foi mais que preconceito. Os carros que tinham placa de Goiânia eram apedrejados nas outras cidades. Se chegasse em um hotel vindo de Goiânia, não deixavam fazer check-in. As pessoas não queriam comprar coisas de Goiânia”, conta o artista plástico Siron Franco, de 78 anos, sobre o que viveu no último trimestre do ano de 1987, logo depois que o acidente radiológico com o césio 137 tornou-se conhecido em todo o País. Uma campanha com vários projetos foi iniciada a nível estadual e, mesmo com iniciativas privadas para convencer o público de que não havia mais perigo na cidade, tanto para impedir uma crise econômica local, que já tinha iniciado com queda em vendas e turismo. Siron lembra que, na época, morava em São Paulo e ficou sabendo por amigos do acidente ocorrido no então Bairro Popular (a parte mais ao norte do agora Setor Central), onde tinha morado por 19 anos. Decidiu vir para Goiânia, especialmente pela relação que tinha com o setor e pelo chamado dos amigos, dada sua relação de amizade com o então governador Henrique Santillo. “O maior problema na época era em relação à coleta de lixo, porque eles não queriam catar lixo lá no Bairro Popular com medo de contaminação. Então a ideia era mostrar que não havia esse risco e ser o interlocutor do bairro com o governo”, diz.