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Óleo polêmico

Sociedades médicas alertam sobre riscos ao usar o óleo de coco como função terapêutica

Gabriel Cabral/Folhapress
Óleo de coco tem sido usado largamente na alimentação e também em produtos cosméticos

Um óleo vegetal que previne doenças cardiovasculares, e neurodegenerativas, é bom para o cabelo, para a higiene e ainda ajuda a emagrecer. Se você pensou em óleo de coco, acertou, mas também errou, já que nenhum desses benefícios é real.

Sociedades médicas brasileiras têm tentado desmistificar o falso milagre do momento: as funções terapêuticas do óleo de coco.

Na última semana, a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) se posicionou contra a prescrição do óleo como terapia para emagrecer. Antes, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) já haviam divulgado, em conjunto, um posicionamento contrário à utilização do óleo de coco para a perda de peso.

As duas sociedades afirmavam que não havia qualquer evidência científica ou mecanismos fisiológicos para a associação entre o tão falado óleo e o emagrecimento.

Ok, não afeta o peso, mas evita um monte de doenças e faz bem para a saúde, certo? Mais uma vez, não.

O posicionamento da Abran também fala sobre as outras propriedades supostamente milagrosas do óleo. De forma geral, o óleo de coco não possui ação antibacteriana -e tem muita gente que usa o óleo para higiene. Os estudos foram realizados in vitro e não são conclusivos. Portanto, o produto não deve ser indicado para este fim.

Da mesma forma, não há estudos que abordem o efeito do óleo na função cerebral ou evidência de uma ação protetora contra doenças neurodegenerativas. “Hoje não há suporte científico para dizer que ele traz qualquer benefício”, afirma Ana Lúcia dos Anjos, pesquisadora da faculdade de medicina da Unesp de Botucatu e médica nutróloga da Abran.

“De forma muito prática, é possível dizer que ele serve para nada”, diz Fábio Trujilho, presidente da Sbem.

Para Maria Edna de Melo, presidente da Abeso, o óleo de coco é só um modismo com apelo de produto natural.

“As pessoas gostam do milagre”, diz Ana Lúcia. “Hoje, com o aumento da obesidade, qualquer coisa que supostamente ajude a perder peso vende muito”, diz Trujilho. E a um preço alto: um pote de 200 ml custa cerca de R$ 20.

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