Estado

TO tem apenas 2,6% das cidades com UTI

Somente Palmas, Araguaína e Gurupi contam com terapia intensiva; já as vagas de internação cresceram 4,2% em sete anos, enquanto a população subiu 12% no mesmo período

Dos 139 municípios do Estado, apenas três (Palmas, Araguaína e Gurupi) têm leitos de Unidade terapia Intensiva (UTI) pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que corresponde 2,6% das cidades. Em 2010, havia 98 leitos de terapia intensiva no Estado e, no final de 2017, eram 134. O Tocantins também só tem 43 cidades com leitos de internação, o que representa 31% do total de municípios.

Os dados são fruto de um levantamento apresentado na manhã de ontem, durante coletiva de imprensa realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO), em Palmas. Ainda ontem o presidente do CFM, juntamente com membros da diretoria do Conselho Regional visitaram o Hospital Geral de Palmas (HGP). O levantamento também apontou que em sete anos, (entre 2010 e 2017) o Tocantins apresentou um crescimento tímido no número de vagas para internações em suas unidades hospitalares públicas, com apenas 4,2%. O número nos leitos de internação saltou de 2.122 (2010) para 2.212 (2017). O crescimento foi menor que o aumento da população do Estado no mesmo período que foi de 12%.

O levantamento também aponta que houve crescimento inferior na taxa de criação de leitos de repouso nos hospitais públicos. Em sete anos, a subida foi de 7,1%. Hoje, conforme os dados do levantamento, o Tocantins conta com 1.209 leitos de repouso e observação.

Segundo o CFM, o Estado tem um gasto per capta de R$ 2,12 ao dia, ou R$ 764,22 ao ano, isso levando em conta a soma dos investimentos do governo Estadual e da União. O valor corresponde a 35% dos que os beneficiários dos planos de saúde gastam por ano para ter direito à assistência complementar.

Cirurgias

O levantamento expôs que em torno de seis mil pessoas estão na fila de espera por cirurgias das mais diversas especialidades no Tocantins. A conclusão ao qual o CFM chegou é que os investimentos não cresceram proporcionalmente ao número de pacientes.

Esse fato, para o presidente da entidade, Carlos Vital, demonstra uma grave crise. “Nós temos que ter um financiamento mais adequado para assistência à saúde e competência administrativa para uma efetiva aplicação das verbas. Não é o que se apresenta. Nós temos hospitais com fila de espera e corredores superlotados”, pontua Vital.

Ele sugere que é preciso buscar verbas no governo federal, que deixou de utilizar nos últimos dez anos mais de R$ 170 bilhões.

“Isto é mais que o orçamento de um ano do SUS, daquilo que é aplicado pela União. Essa situação não pode perdurar, porque competência administrativa é a grande questão. Dizem os gestores do Ministério da Saúde que faltam projetos e proatividade dos gestores municipais e estatais, mas isso não é justificativa porque com esta verba autorizada, disponível e não utilizada, seria suficiente para resolver grande parte dos problemas da saúde nos municípios do Brasil”, aposta.

Pediatria

Ele ainda criticou a retração de leitos, por exemplo, na pediatria que tem 12% a menos. “Exemplo do que ocorre quando os municípios estão empobrecidos. Hoje já não existem mais hospitais municipais”, acrescentou.

CRM

A presidente do CRM-TO, Jussara Martins, criticou a centralização dos hospitais no Tocantins. Ela lembrou que antes da divisão do Estado, parte das cidades tinha hospitais para atender pelo menos o básico dos serviços, realidade que não é a de hoje, onde quase todo o processo é feito no HGP, o que causa superlotação na unidade.

“A solução seria reativar esses hospitais para que cada município tentasse fazer o seu básico e trazer menos demandas para os municípios maiores. Temos casos de pacientes que morrem durante o transporte. A saúde hoje no estado é deficitária. Muitas unidades o único recurso que tem é uma ambulância para transportar paciente de lá para outra unidade”, analisa Jussara.

Vital complementa que a centralização é um grande problema porque superlota a região de Palmas e todo seu sistema público de saúde e o resultado é o caos que se observa em todas as fiscalizações que se faz.

“Há que se ter uma carreira de estado que vincule o profissional e que promova o incentivo necessário para que ele faça o concurso. Então tem que haver verbas suficientes para fazer concurso público e plano de carreira de estado, então naturalmente teremos o médico interiorizado no Tocantins”, acredita o presidente do CFM.

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