Sustentabilidade

As razões e medidas certas para reflorestar

O “novo” Código Florestal - CF, tem bons princípios, mas quer promover justiça ambiental por decreto quadrado, em um país continental e diverso. Não leva em conta leis naturais, sociais e econômicas e arroga ao estado uma posição inviável de comando e controle absoluto. A regulamentação prevista de regras estaduais pode trazer alguma luz para a questão. Mas o mais decisivo será a atitude correta de gestores e técnicos na boa condução dos processos produtivos e naturais da propriedade, com ou sem lei, ou apesar dela. Pelo respeito aos ciclos integrados “clima, solos, águas, vegetações, animais” e suas leis; pelo bom manejo; e pela superação do legalismo mecânico e estreito.

Flexibilidade

É preciso abrir espaço para a criatividade técnica, bom senso e visão econômica, bem como usar a melhor das regras de manejo ambiental e agronômico: “depende”.

Pactuação

O processo CAR-PRA ainda pode evoluir para o bem, a partir de pactuações intersetoriais nos estados, envolvendo órgãos ambientais e de pesquisa, setor produtivo e academia. De preferência, com a liderança da Embrapa.

Acima das leis

O que determina qualidade ambiental das vegetações nativas ou de florestas implantadas em APPs e reservas legais não é o seu uso produtivo ou não. Mas sim a qualidade técnica do projeto e o cuidar integrado.

Indução

A implantação do CAR-PRA é excelente oportunidade para fortalecer a economia florestal. É possível fazer um plano de equilíbrio ambiental e produtivo das propriedades, muito mais amplo do que o PRA, sem filtros ideológicos e com viés também econômico.

Autofinanciável

Recuperar as funções ambientais das áreas agrícolas, reservas e até APPs – e ainda ganhar dinheiro, inclusive para financiar esta recuperação, esta deve ser a força motriz dos esforços dos governos. A formação de florestas produtivas ambientais ou florestas ambientais pela produção, com arranjos espaciais e temporais.

Viabilidade

Há recursos financeiros e técnicos para viabilizar as recomposições florestais pelos produtores nos métodos impositivos, ideológicos e rígidos? Há dinheiro estatal e quadros técnicos capacitados para controlar bem tudo que o Código Florestal se propõe? O que fazer quando a lei impõe mas a realidade não permite?

X Tudo

O PRA burocrático é como um sanduíche de uma banda só e de pão velho. Os produtores e o ambiente precisam de um “XTudo” de equilíbrio ambiental na propriedade toda – não só nas áreas protegidas. Feito de ingredientes contra erosão, depauperação do solo,efluentes orgânicos, poluição química, perda de biodiversidade, desvegetação, desertificação, mau manejo da propriedade e das culturas. Um sanduíche de conservação e recuperação dos sistemas naturais, construção da fertilidade do solo, diversidade agrícola e florestal segundo a vocação do território e busca da máxima produção sustentada. Com muito molho de gestão, boas práticas e de assistência técnica integrada.

Visite o site da SOBRADE, adquira os anais de diversos SINRADs, Filie-se, participe desta comunidade. Veja as inúmeras técnicas de recuperação no site da Embrapa. Gestor público: promova a discussão da implantação do PRA em seu município. Produtor: entenda que árvores e florestas são benéficas à sua produção agrícola, independente de lei e governos.

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