Estado

Sonho por vaga ainda pode demorar

Desejo por estabilidade pode ser adiado devido permanência da suspensão de concursos federais; ajuste das contas públicas e PEC do Teto dos Gastos reduzem vagas

Elias Oliveira
Luciana está há seis meses se dedicando a passar em um concurso público e não se sente desmotivada com a baixa quantidade de editais previstos para 2017

Quem tem como meta passar em um bom concurso público talvez tenha que esperar um pouco mais estudando. Seguindo o ritmo desacelerado de abertura de editais do ano passado, 2017 se inicia sem previsão de novas oportunidades em âmbito regional, pelo menos até abril. Na esfera federal, com a suspensão de autorizações para concursos em 2016 e permanência para este ano, medida integrante do ajuste fiscal do governo federal, os interessados em uma vaga no serviço público ficarão com menos opções para conquistar o sonho da estabilidade profissional.

Com os certames autorizados por decisões judiciais e para substituição de terceirizados, cujas portarias são de 2016, a estimativa do Ministério do Planejamento é de 15.474 cargos para todos os poderes – número 67% inferior ao de 2014. Esse quantitativo estimado pelo Executivo poderá ser aproveitado no atendimento de situações excepcionais – como concursos anteriormente autorizados que estão pendentes de nomeações. Por isso, a rota dos concurseiros – que se dedicam ao estudo de provas de concursos públicos - está bem mais estreita.

De quebra, 2017 começa com um tempero: a PEC do Teto dos Gastos Públicos – que limita o crescimento das despesas do governo corrigido pela inflação do ano anterior pelos próximos 20 anos. Caso o limite de crescimento de gastos seja descumprido, poderes e órgãos a eles vinculados ficarão impedidos no exercício seguinte de reajustar salários, contratar pessoal e fazer concursos públicos (exceto para reposição de vacância) e criar novas despesas até que os gastos retomem ao limite previsto pela PEC. Ou seja, um fator que pode frear ainda mais os concursos públicos daqui para frente.

Apesar de já ter editais abertos para prefeituras do interior, como Novo Jardim e Cariri do Tocantins, os salários e níveis não chegam perto dos sonhos dos concurseiros. Na teoria, a tendência é de que municípios e Estado sigam as medidas de ajustes de gastos públicos do governo federal. A Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) informou que, de acordo com o decreto do governador Marcelo Miranda (PMDB), estão suspensos novos concursos até o dia 30 de abril, como medida de economia de gastos.

Já os concursos previstos para o ano passado, como os da Assembleia Legislativa, Câmara Municipal de Palmas e Polícia Militar (PM) não saíram nem do papel, e iniciam o ano também sem respostas, uma vez que os poderes legislativos passam por mudanças de legisladores e presidente de Casa, e o da PM não chegou a ser publicado o edital.

Diferente do concurso previsto para a PM, o da AL teve edital lançado, com oferta de 72 vagas para contratação imediata e 54 para cadastro reserva, mas foi cancelado, devido relatos do processo de concepção do concurso estar cheio de vícios. Sobre o concurso da PM, a Secom informou que continua com previsão para ocorrer neste ano, ainda sem data prevista para publicação de edital.

A concurseira Luciana de Jesus, 31 anos, chegou a pagar a taxa de inscrição para o concurso da Assembleia, e mesmo com o cancelamento do edital ela não se deixou abater e continuou com o ritmo de estudos. “Estou me preparando e esperando abrir o edital para o Tribunal Regional Eleitoral, Tribunal de Justiça e Polícia Federal”, conta ela, que chega a estudar seis horas diárias. Para Luciana, a rotina de estudos tem que ser puxada tendo em vista que os concorrentes estão se preparando. “Quem vai concorrer comigo já está dois, três anos se preparando, então preciso ter foco, porque três meses não é suficiente para estudar todo o material previsto no edital”, opina.

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