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Presos das unidades prisionais pagam por objetos

Aparelhos celulares variam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, já arma de fogo chega a R$ 6 mil, conforme denúncia; Seciju disse que vai abrir investigação para apurar

Divulgação
Na unidade de Cariri foram apreendidas cerca de 60 armas artesanais e seis celulares ontem

A cada vistoria realizada em presídios, a sociedade se pergunta como armas, aparelhos celulares e entorpecentes chegam até os presos. Em entrevista à TV Anhanguera, um funcionário da empresa Umanizzare Gestão Prisional Ltda revelou como funciona o esquema de entrada no Centro de Prisão Provisória (CPP) de Palmas e os valores para cada objeto. Ontem, foram realizadas revistas nas três maiores unidades prisionais do Estado e uma centena de objetos foram apreendidos.

O funcionário, que administra a Casa de Prisão Provisória (CPP) de Palmas e a Unidade Prisional Barra da Grota em Araguaína, Norte do Estado, contou que os próprios presos oferecem dinheiro para ter acesso a equipamentos e até armas e que muitos funcionários aceitam fazer a troca de serviços. Uma arma de fogo, por exemplo, chega até R$ 6 mil. Um celular pode variar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil.

Segundo esse funcionário, a empresa e o governo não têm controle do que acontece nos presídios, uma vez que não fiscalizam o serviço desses empregados da empresa.

O superintendente do Sistema Penitenciário e Prisional da Secretaria Estadual de Cidadania e Justiça (Seciju), Darlan Rodrigues, falou que a movimentação e o acompanhamento são diários e todos os funcionários passam por um processo de investigação. “Vamos abrir uma investigação, junto com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) para que possa apurar esses fatos, identificar essa pessoa que está contaminando a unidade prisional e tomar as medidas judiciais de imediato”, afirmou.

Sobre a quantidade de servidores punidos por ato ilícito ou criminoso, Rodrigues não soube explicar, mas disse que esse servidor é encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil para os trâmites necessários para as medidas cabíveis. Sobre a questão contratual entre governo e Umanizzare, o superintendente disse que a gestão estadual que vai decidir.

Apreensões

Uma prova do acesso dos presos aos objetos é a quantidade de apreensões de armas artesanais e celulares durante a revista geral denominada Paz nos Presídios no Centro de Reeducação Social Luz do Amanhã, em Cariri, a 257 km de Palmas, CPP de Palmas e Unidade de Tratamento Penal Barra da Grota, em Araguaína, Norte do Estado.

Somente na unidade de Cariri foram encontrados aproximadamente 60 facas artesanais e seis aparelhos celulares. Na CPP de Palmas foram cerca de 40 facas e três celulares. Nas duas unidades ainda foram encontrados pedaços de cordas artesanais, ferro, duas balanças artesanais, um gancho de ferro, duas ceguetas, uma porção de 350 gramas de entorpecentes, 16 garrafas pet com substância em fermentação e cerca de 100 chunchos. O balanço do Presídio Barra da Grota não foi divulgado devido a revista ter acontecido na tarde de ontem.

Já sobre uma possível rebelião nos presídios, o superintendente informou que a gestão sabe quais são os presos faccionados, quem são e onde estão. “Estamos monitorando diuturnamente o comportamento desses presos”, afirmou.

Outro questionamento foi em relação às condições estruturais da unidade de Cariri e que podem facilitar para que aconteça uma rebelião entre os presos. Segundo Rodrigues, a previsão é que o presídio passe por um processo de licitação ainda no primeiro semestre deste ano. “Para reforma e adequação do estabelecimento penal”, explicou. Além dessa reforma, há a previsão de construção de dois presídios: Unidade Prisional Feminina em Palmas, e Unidade Prisional Masculina em Gurupi, Sul do Estado, e o Complexo Prisional Serra do Carmo. Os três abrigarão 1.300 presos.

A Umanizzare informou que “reafirma seu compromisso em zelar e cumprir as normas e os procedimentos de boa conduta interna, tanto dos funcionários quanto dos reeducandos”.

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