Estado

Nova estrutura curricular de escolas estaduais causa polêmica

Sintet contrário às mudanças; projeto prevê redução no tempo de aula e inclusão de novas disciplinas em todos os níveis

Adilvan Nogueira/ Seduc

A aprovação da nova estrutura curricular para o ano letivo de 2017 pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) não foi bem vista Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Tocantins (Sintet). Segundo o presidente da entidade, José Roque Rodrigues, eles são contrários às mudanças e questiona se elas são viáveis. 
 
“As mudanças não foram realizadas de forma democrática, não houve um diálogo com as escolas e os professores. Nós não sabemos o porquê dessa mudança, em que foi baseada. Queremos saber qual foi o diagnóstico da secretaria que deu base para essas alterações”, comentou. A nova estrutura curricular foi aprovada no dia 19 de dezembro em uma sessão extraordinária. 

Entre as mudanças está a redução do tempo de aula de 60 para 50 minutos em todas as séries. Além disso, a inclusão de novas disciplinas em todos os níveis de educação, que para Rodrigues não é viável. “Nessa nova realidade existem algumas disciplinas novas. A pergunta é: quem vai ministrá-las? Já que os professores não viram esses conteúdos em sua formação e também não tiveram capacitação para ministrá-los”, comenta.
 
O presidente do Sintet informou que pretende sentar com a categoria e debater as mudanças para ver o posicionamento de todos e procurar a Seduc para respostas.
 
Novas disciplinas

Segundo a Seduc, a nova estrutura prioriza o fortalecimento das práticas pedagógicas visando a melhoria do processo de ensino e aprendizagem. No ensino fundamental haverá o aumento da carga horária das disciplinas de português e matemática. Além disso, serão incluídas as matérias de redação e língua inglesa.
 
Já no ensino médio, serão adicionados conteúdos de conhecimentos gerais nas matérias de história e geografia da 3ª série, além de conteúdos na disciplina de sociologia. Em unidades de tempo integral serão incluídas disciplinas conhecimento gerais e atualidades. Outra mudança nessas unidades é o aumento da carga horária em português, matemática, biologia, química e física, além da disciplina de redação em todas as séries.
 
Além disso, nas escolas de Tempo Integral da rede estadual, que não integram o Programa de Implementação ao Ensino Médio em Tempo Integral, serão inseridos conteúdos de cultura corporal, aulas de dança, jogos intelectuais, artes marciais ou esportes ofertados de acordo com a opção das escolas.
 
EJA

A proposta aprovada também prevê mudanças específicas para as escolas quilombolas, do campo, indígenas e as que oferecem a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Nas modalidades, será incluso o componente curricular emprego e trabalho e aulas de redação.
 
Segundo a Seduc, as escolas quilombolas, serão contempladas com conteúdo específicos sobre saberes e fazeres quilombolas “com o objetivo de valorizar os conhecimentos e a realidade dos alunos”. Nas escolas do campo, haverão disciplinas sobre saberes e fazeres do campo com conteúdos como: sistema de cultivo, sistema de criação, agroindústria, aquicultura ou extrativismo. Nas unidades escolares indígenas, as novas disciplinas serão cultura religiosa indígena e estudo da língua indígena.
 
 

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