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Intimação esquenta clima entre policiais

Relato de possível intimidação de militares contra delegado de Paraíso do Tocantins repercute entre corporações, que negam desarmonia entre instituições

Divulgação
Delegado filmou saída de policiais militares da delegacia; vídeo com imagens viralizou nas redes sociais

Com a deflagração da Operação Fructus Putres, que levou dois policiais do 8º Batalhão da Polícia Militar em Paraíso do Tocantins à prisão, os depoimentos previstos para ontem na 2ª Delegacia de Polícia Civil não aconteceram. Ao invés dos policiais intimados, o delegado Cassiano Ribeiro Oyama, recebeu um grupo de 20 militares armados e que, conforme o relato de Oyama divulgado em áudio em redes sociais, o teriam intimidado para receber um ofício dizendo que eles não iriam comparecer, porque isso desguarneceria a corporação.

No áudio sobre a ação de ontem (veja o quadro), o delegado afirma que os militares estavam armados com fuzis e que queriam que ele recebesse um ofício, em nome do comandante, para que os policiais não se apresentassem para prestar depoimento. Além da suposta intimidação, o delegado afirmou que os militares teriam saído do local em quatro viaturas e “cantando pneu”.

O Jornal do Tocantins entrou em contato com Oyama após o ocorrido que, aparentando nervosismo, afirmou que não poderia falar sobre o assunto, mas que estava a caminho de Palmas para uma reunião com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para tratar do assunto. Após isso, ele não atendeu mais aos telefonemas. A secretaria não confirmou a reunião.

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Após o fato, a presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil (Sindepol), Cinthia Paula de Lima, em entrevista ao JTo, defendeu a atuação do delegado. “Temos plena confiança de que o delegado estava cumprindo seu trabalho e que a intenção em momento algum foi de criar atrito. Não houve afronta. Sentimos muito porque são duas instituições que trabalham em parceria. Não existe subordinação”, frisou. O advogado de defesa dos militares, Indiano Soares, explicou que não houve intimidação por parte dos militares e que se trata de um evento comum aos policiais irem à delegacia. “Foi entregue o documento ao delegado, que se sentiu amedrontado com a presença dos policiais”, ressaltando que, no ofício, o comandante pede que os policiais se apresentem em outro momento. As corporações não confirmaram quantos policiais haviam sido intimados para prestar depoimento.

Operação

A operação, deflagrada pela Polícia Civil e Ministério Público do Estado (MPE), cumpriu dois mandados de prisão preventiva e investiga o envolvimento de policiais militares em suposto desvio de drogas apreendidas. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa dos investigados e no departamento de inteligência do batalhão onde atuam. Acabaram apreendidas drogas e notas de dinheiro falsas.

 

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Editoria de Arte
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