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Ex-dependentes químicos contam histórias de superação e luta durante almoço

Durante o almoço, o arcebispo dom Pedro Brito Guimarães celebrou uma missa para os presentes, e lembrou da necessidade de a sociedade ajudar e apoiar as Fazendas da Esperança

Lia Mara
Reabilitados durante o almoço na Fazenda
Lia Mara
Mauro hoje é missionário em Porto Nacional

Com um sorriso no rosto mais de 40 recuperados da luta contra as drogas estiveram hoje no almoço solidário na Fazenda Feminina Nossa Senhora da Esperança, em Palmas. Entre as histórias de recuperação está a do missionário Mauro Mariano da Costa Júnior, de 35 anos. Ele viveu no mundo das drogas por 15 anos, mas com a incentivo da mãe e da esposa procurou a reabilitação.

Mauro ingressou nesse mundo quando ainda estava na escola. Ele começou a experimentar drogas com companheiros do time de futsal, que ele jogava. “Começou com a maconha atrás da escola. Depois íamos a bares e boates para fumar”, comentou. 

Não demorou muito para Mauro se sentir isolado do mundo. Ele os pais brigavam constantemente. Seus pais se separaram. Ele é o pai acabaram perdendo o contato. Apesar disso, a mãe sempre o apoiou e tentou ajudá-lo. Depois veio a esposa, Patrícia foi a segunda ajudar Mauro. 

“Trabalhávamos juntos. Começamos a nos aproximar e acabamos casando. Ela sempre sabia de tudo”, comentou. Depois de muito pedidos e do incentivo da mãe e da mulher, Mauro iniciou o tratamento. Na época, ele morava com a mulher e filhos no Maranhão. “Não foi fácil. Não queria deixar minha família só. Por mais que eu usasse drogas e bebesse eu sempre ajudava em casa”, comentou.  

Após 20 meses de tratamento, em 2011 Mauro se reabilitou. “Voltei para casa, mas ficou a vontade de voltar para a Fazenda”, comentou. Depois de um período, ele e a família começaram a trabalhar em Fazendas, hoje ele está em Porto Nacional.  

Mas a história de Mauro ainda teria mais momentos de alegria. No ano passado, o missionário e seu pai se reaproximaram. “Ele veio em busca de ajuda. Aproveitei a oportunidade e o convidei para passar as férias comigo. Convidei minha mãe também. A surpresa foi que os dois acabaram reatando o casamento. Só que meu pai já estava muito debilitado e acabou falecendo no fim de ano”, comentou. 

Com a morte do pai, a família de Mauro aumento, já que seu pai tinha dois filhos pequenos de um segundo relacionamento. “Como minha mãe já é de idade e as crianças são pequenas, nós adotamos os meus dois irmãos”, contou. 

Para Mauro, é preciso perseverança de quem quer sair no mundo das drogas. “Vai ter barreiras e dificuldades, mas temos que perseverar. Eu mesmo cheguei ao período de não ter nada, nem ninguém, hoje restaurei minha família que não para de crescer”, comentou. 

Filha de Palmas  

Marcia Pereira dos Santos, 26 anos, é uma das “Filha de Palmas”, como são chamadas as mulheres que se recuperam na Fazenda da Esperança da Capital. De viciada em drogas e álcool a coordenadora, a jovem mudou completamente sua vida. Após um ano de tratamento, entre 2013 e 2014, Márcia se tornou missionária e agora vai deixar o Tocantins rumo ao Rio de Janeiro, onde será coordenadora de uma Fazenda.  

“Comecei nas drogas quando tinha uns 12 anos. Eu usava tudo, cocaína, crack tudo, eu bebia muito também. Vivia mundo muito louco, mas quando conheci a Fazenda e vi as meninas me encantei pelo jeito que elas viviam. Esse desejo cresceu dentro de mim”, contou. Com o apoio da mãe, vizinhos e até da Paróquia de Dianópolis, cidade natal de Márcia, ele largou tudo para começar o tratamento na Capital. 

Após a recuperação, Márcia já conheceu diversas Fazendas inclusive visitou a África, mas acabou escolhendo ir para o interior do Rio de Janeiro. “São 12 meninas que vou assumir e cuidar delas”, comenta. 

Apesar da mudança, para Márcia o maior desafio será com o filho de 7 anos. “Ele é meu maior desafio, porque nunca assumi o papel de mãe. Esse tempo todo ele ficava com a avó, ele foi criado com avó. Agora quero criar esse relacionamento de mãe e filho, que ele não teve comigo na infância”, comenta. 

Missa 

Durante o almoço, o arcebispo dom Pedro Brito Guimarães celebrou uma missa para os presentes. Ele lembrou da necessidade de a sociedade ajudar e apoiar as Fazendas da Esperança. O bispo ainda lembrou da importância do perdão e da compaixão. “Às vezes somos muito carrascos com as pessoas que cometem erros”, comentou. 

Após a missa, o arcebispo também agradeceu o trabalho da Fazenda e disse que o local é um “lugar onde se faz a felicidade”. “As pessoas chegam amarguradas e destruídas e aqui se encontram com Deus e encontram a felicidade”, comenta. 

Para a responsável da unidade, Gabriela Alves da Silva, de 29 anos, o compartilhamento de momentos de superação dos reabilitados é a melhor forma de mostrar que é possível se recuperar das drogas e do álcool. A fazenda acolhe pessoas com idade entre 15 e 45 anos, que desejam livremente se recuperar de drogas, álcool e tantos outros tipos de vícios.

Participaram do almoço o editor-chefe do Jornal do Tocantins, Tião Pinheiro, o superintendente do Sebrae Tocantins, Omar Hennemann, e o ministro do Supremo Tribunal Militar (STM) José Barroso Filho, que está em Palmas acompanhando o projeto Rodon. Também estiveram presentes artistas locais. 

Lia Mara
Dom Pedro celebrou a missal durante o almoço
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