Estado

Estado vai ter que reorganizar ordem de espera das crianças

Prontuários serão avaliados para redefinição da ordem de mais de mil crianças; há casos em que pacientes estão até oito anos aguardando

Marcelo de Deus/MPE/Divulgação
Paiva(D) e Musafir (C) negociaram prazo para apresentação de plano para acabar com fila

O Estado tem até 11 de maio deste ano para reorganizar e reclassificar a lista de espera de crianças que aguardam por cirurgias eletivas. A fila possuía até ontem 1.172 crianças, muitas delas há anos esperando por procedimento cirúrgico.

O prazo foi estabelecido em audiência, na última quarta-feira, presidida pelo juiz Frederico Paiva Bandeira de Souza com a presença do secretário estadual de Saúde, Marcos Musafir, técnicos da pasta e o procurador do Estado, Kledson de Moura Lima. Também participaram o defensor público Estadual Arthur Pádua e a promotora de Justiça Ceres Gonzaga de Rezende Caminha, autores da Ação Civil Pública (ACP) que deu origem ao processo.

Segundo a promotora de Justiça, um dos casos citados na ação é de um garoto que está há oito anos na lista de espera de cirurgias pediátricas eletivas. “Essa fila está parada. Tem uma criança há oito anos aguardando. Há casos que esperam há menos tempo, em meses ou anos. Mas não são casos complexos, há variadas necessidades, são cirurgias variadas que o tempo de espera pode causar riscos ou danos, talvez ate irreversíveis”, disse a promotora ontem em entrevista ao JTo. Segundo ela, os procedimentos indicados para estas crianças podem ser realizados no Tocantins.

Por ordem da Justiça, além de reorganizar a fila, o Estado precisa reavaliar cada caso a partir dos prontuários e cadastro no Sistema de Regulação Estadual. “Agora a secretaria tem que reorganizar essa lista, dizendo a idade e o porte da complexidade criança. Com base nessa lista eles vão ter que apresentar um plano de como operar essas crianças para dar vazão à fila”, acrescentou a promotora.

Na audiência desta semana, foi definido prazo para o Estado apresentar até o próximo mês um plano que defina como as cirurgias serão retomadas e inclua, além dos três cirurgiões pediátricos existentes no quadro da Saúde, outros cirurgiões gerais, aptos a operar crianças a partir de nove anos, na escala de atendimento destas cirurgias.

Antes da audiência de 11 de maio, uma outra audiência deve ser realizada com os cirurgiões para definir os termos do mutirão de atendimento que será realizados para esvaziar a fila. Ainda não há data definida para a conversa entre médicos e o juiz. Outra das soluções propostas foi a celebração de um acordo para que parte dos pacientes da fila sejam atendidos na estrutura em uma unidade municipal com contrapartida paga pelo Estado.

em 2016, quando a acp foi ajuizada, o estado justificou a paralisação dos procedimentos por falta de cirurgiões pediátricos

Comentários
Os comentários publicados aqui não representam a opinião do jornal e são de total responsabilidade de seus autores.
ASSINE JÁ