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Palmas, 28 de julho de 2009

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Arte emperrada

ReInauguração do memorial coluna prestes, prevista para este mês, foi adiada por problemas técnicos no teatro de bolso; um novo orçamento será elaborado para continuidade das reformas

Cinthia Abreu
Palmas

O Memorial Coluna Prestes foi inaugurado em 5 de outubro de 2001 e é uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer em homenagem a Luís Carlos Prestes. O espaço foi fechado em 2007 com promessa de reforma e entrega em no máximo um ano. Passados dois anos, o museu e o teatro de bolso continuam fechados, embora esse último já tenha sido utilizado para alguns eventos culturais.

Segundo a assessoria de comunicação da Fundação Cultural do Estado (FCT), a reforma do Memorial Coluna Prestes foi iniciada, praticamente concluída, e a inauguração estava prevista para este mês, mas foram detectados problemas técnicos a serem consertados antes de ser inaugurado o Teatro de Bolso. Para isso, é necessário que o Governo do Estado faça um novo contrato com a empresa que fará a reforma e este caso é de responsabilidade da Secretaria Estadual de Infraestrutura.

De acordo com a Secretaria Estadual de Comunicação (Secom), foi executado o contrato inicial para reforma, mas após vistoria da Secretaria da Infraestrutura, foram detectados novos problemas técnicos. Agora está sendo elaborado um relatório e um novo orçamento. E após a conclusão, será feita nova licitação para continuidade da recuperação do Memorial Coluna Prestes.

Repercussão
“Como produtor cultural a gente lamenta qualquer dificuldade de espaço. São poucos no Estado e qualquer impedimento de uso destes faz muita diferença. Temos o Theatro Fernanda Montenegro com muito problema e agora o Memorial fechado todo este tempo. Na medida em que o Memorial está perto dos hotéis e comporta produções leves, é essencial que ele seja inaugurado o mais rápido possível”, observa o produtor cultural Marcelo Souza.

Souza lembrou ainda que antes de existir o problema da falta de espaço para produções culturais, falta apoio para que elas aconteçam: “Acredito que estamos vivendo um nítido momento de complicação na cultura local. É clara a dificuldade de lembrança da última estreia de teatro, dança e música. Os editais do ano passado não foram pagos e agora há expectativa deste edital que a Fundação Cultural do Estado lançou. É um conjunto de complicações e vemos um momento muito difícil na produção cultural do Tocantins.

A opinião de Souza é compartilhada com outros produtores culturais no que diz respeito às complicações que geram o fechamento do Memorial Coluna Prestes. “As casas de espetáculos são poucas no Estado e mesmo assim estão frequentemente em reforma que duram anos. O Memorial é um ótimo espaço para espetáculos de pequeno porte, bem estruturado, bem localizado e aconchegante, mas precisa ser inaugurado logo. Porque apesar de existirem espaços grandes como o Fernanda Montenegro e o Teatro do SESC, o Teatro de Bolso faz muita diferença para quem não produz espetáculos tão grandes. Aí não disputa tanto em editais e concorrências com grandes espetáculos. O espaço para visitação do museu também é um local importante para a cidade, de valor histórico. Sempre que minha família, que mora fora do Estado, vinha me visitar eu gostava de levá-los ao Memorial para eles conhecerem”, diz a atriz e produtora cultural Leidiane Martins.

Saiba mais
Estrutura do Memorial

O Memorial Coluna Prestes possui um museu, um teatro de bolso com capacidade para 90 pessoas e na porta do prédio um escultura em bronze chamada de “Cavaleiro da Luz”, que representa Luiz Carlos Prestes.

O espaço abriga um importante acervo que está à disposição de pesquisadores, estudantes e comunidade. As visitas são monitoradas por técnicos que explicam o acervo. Construído como forma de homenagear os tenentes de 22 e a marcha realizada pela Coluna Prestes durante o Movimento Tenentista, suas instalações foram projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer numa área de 570.40m².

O acervo é composto por fotografias, documentos e objetos pessoais doados pela família de Luiz Carlos Prestes que rememoram a marcha de 25 mil quilômetros feita pelo interior brasileiro, inclusive no Tocantins, entre os anos 20 e 30. Algumas das peças em exposição são preciosidades, como as duas armas que pertenceram aos comandantes do movimento e a única fotografia que reúne todas as lideranças, e que tirada em Porto Nacional. Mapas mostram o roteiro do Movimento Tenentista, que culminou com alguns poucos amotinados no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, e do qual nasceu a ideia de cruzar o País informando a população sobre a necessidade de mudanças na política brasileira.