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Palmas, 27 de setembro de 2009

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MEIO AMBIENTE

Tocantins perdeu 6% de sua vegetação de cerrado

Dado divulgado recentemente aponta que, nos últimos seis anos, cerca de 7 quilômetros foram devastado por dia

Suene Moraes
Palmas

O cerrado do Tocantins perdeu, de 2002 a 2008, 6% da sua área de vegetação nativa, o que equivale a 14.076 quilômetros quadrados, aproximadamente sete quilômetros por dia, durante os últimos seis anos, conforme levantamento divulgado recentemente, pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A pesquisa, intitulada Monitoramento dos Biomas Brasileiros, observou o desmatamento na região do cerrado: Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Piauí, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Rondônia, São Paulo e o Distrito Federal.

A pesquisa aponta que o Tocantins aparece em terceiro lugar, empatado com Minas Gerais, Mato Grosso e Piauí, no ranking dos estados que mais desmataram o cerrado. Em primeiro lugar aparece o Maranhão, que devastou 11% do cerrado; e em segundo está a Bahia, com 10%. Em último lugar está o Distrito Federal, com 1%.

O ministério listou ainda 60 municípios que, juntos, foram responsáveis por um terço do desmatamento no bioma entre 2002 e 2008 e que serão alvos prioritários das ações de fiscalização e controle. O Tocantins possui três cidades: Paranã em 34º lugar, com 556,54 quilômetros desmatados; Pium, em 46º lugar, que perdeu cerca de 484,96 quilômetros do cerrado; e Arraias, em 53º, com 451,77 quilômetros devastados.

CO2
A pesquisa revela que os 12 estados juntos, devido ao desmatamento do cerrado, contribuíram, nos últimos seis anos, com a emissão média anual de CO2 de 350 milhões de toneladas. A devastação média anual de 2002 a 2008 foi de 21.260 km².

A secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, Maria Cecília Wey de Brito, reforçou que, nos estados, incluindo o Tocantins, uma das soluções é aumentar as áreas de proteção integral ou de uso sustentável, nas quais o desmatamento é proibido, dos atuais 7,5% para 10% do bioma. “Somente assim podemos frear.” Maria destaca que os principais vilões são a pecuária extensiva e o plantio de soja. Para ela, o cerrado não pode morrer devido ao agronegócio.

ESTADO
O presidente do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Stalin Beze Bucar, ressaltou que os dados do ministério são justificáveis, devido à evolução que vem passado o Estado, no setor da agroindústria. Segundo ele, as três cidades que figuram na lista tem uma explicação. O presidente explica que o plantio de arroz em Pium foi responsável pelo salto na agroindústria de grãos na região. Já no município de Arraias, Bucar frisa que o plantio de eucalipto ocupou uma parte do cerrado, assim com em Paranã. “Os desmatamentos nessas cidades são considerados legais, porque todas essas propriedades tinham as reservas averbadas e fiscalizada pelo Naturatins.”

No caso, do desmatamento ilegal, o órgão, de acordo com o presidente, vem combatendo com fiscalização e com medidas educativas.

Bucar cita que o instituto possui cinco projetos para a preservação da fauna e flora do cerrado: Fauna Atropelada; Lobo Guará; Pato Mergulhão (o estado possui três casais da espécie, que estão na região do Jalapão, e no Brasil em mais três estados); Coleta e Manejo de Capim Dourado; e o Projeto Quelônios. O Naturatins conta ainda com 16 Unidades de Fiscalização, em diversos pontos do Estado.

Saiba mais
Cerrado

O cerrado está presente no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além da faixa central de São Paulo, uma pequena porção do Paraná, sul do Maranhão e oeste da Bahia. Com metade de sua área original devastada, o segundo maior bioma brasileiro ocupa uma região de cerca de dois milhões de quilômetros quadrados, ou 22% do território nacional.

Trata-se da savana mais rica em biodiversidade do mundo. Estimativas indicam que existem cerca de 12 mil espécies de plantas no cerrado. Destas, quatro mil são endêmicas e só existem no bioma. O nível de desconhecimento sobre o bioma, contudo, ainda é gigantesco. Para ser ter uma ideia, 25% das 1.300 novas espécies de vertebrados identificados no Brasil vieram do cerrado.

Fonte: MMA