| MEIO AMBIENTE Tocantins perdeu 6% de sua vegetação de cerrado
Dado divulgado recentemente aponta que, nos
últimos seis anos, cerca de 7 quilômetros foram devastado por dia
Suene Moraes
Palmas
O cerrado do Tocantins perdeu, de 2002 a 2008, 6% da sua
área de vegetação nativa, o que equivale a 14.076 quilômetros quadrados,
aproximadamente sete quilômetros por dia, durante os últimos seis anos, conforme
levantamento divulgado recentemente, pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A pesquisa,
intitulada Monitoramento dos Biomas Brasileiros, observou o desmatamento na região do
cerrado: Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Piauí, Tocantins, Mato Grosso do
Sul, Goiás, Paraná, Rondônia, São Paulo e o Distrito Federal.
A pesquisa aponta que o Tocantins aparece em terceiro
lugar, empatado com Minas Gerais, Mato Grosso e Piauí, no ranking dos estados que mais
desmataram o cerrado. Em primeiro lugar aparece o Maranhão, que devastou 11% do cerrado;
e em segundo está a Bahia, com 10%. Em último lugar está o Distrito Federal, com 1%.
O ministério listou ainda 60 municípios que, juntos,
foram responsáveis por um terço do desmatamento no bioma entre 2002 e 2008 e que serão
alvos prioritários das ações de fiscalização e controle. O Tocantins possui três
cidades: Paranã em 34º lugar, com 556,54 quilômetros desmatados; Pium, em 46º lugar,
que perdeu cerca de 484,96 quilômetros do cerrado; e Arraias, em 53º, com 451,77
quilômetros devastados.
CO2
A pesquisa revela que os 12 estados juntos, devido ao desmatamento do cerrado,
contribuíram, nos últimos seis anos, com a emissão média anual de CO2 de 350 milhões
de toneladas. A devastação média anual de 2002 a 2008 foi de 21.260 km².
A secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, Maria
Cecília Wey de Brito, reforçou que, nos estados, incluindo o Tocantins, uma das
soluções é aumentar as áreas de proteção integral ou de uso sustentável, nas quais
o desmatamento é proibido, dos atuais 7,5% para 10% do bioma. Somente assim podemos
frear. Maria destaca que os principais vilões são a pecuária extensiva e o
plantio de soja. Para ela, o cerrado não pode morrer devido ao agronegócio.
ESTADO
O presidente do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Stalin Beze Bucar, ressaltou
que os dados do ministério são justificáveis, devido à evolução que vem passado o
Estado, no setor da agroindústria. Segundo ele, as três cidades que figuram na lista tem
uma explicação. O presidente explica que o plantio de arroz em Pium foi responsável
pelo salto na agroindústria de grãos na região. Já no município de Arraias, Bucar
frisa que o plantio de eucalipto ocupou uma parte do cerrado, assim com em Paranã.
Os desmatamentos nessas cidades são considerados legais, porque todas essas
propriedades tinham as reservas averbadas e fiscalizada pelo Naturatins.
No caso, do desmatamento ilegal, o órgão, de acordo com o
presidente, vem combatendo com fiscalização e com medidas educativas.
Bucar cita que o instituto possui cinco projetos para a
preservação da fauna e flora do cerrado: Fauna Atropelada; Lobo Guará; Pato Mergulhão
(o estado possui três casais da espécie, que estão na região do Jalapão, e no Brasil
em mais três estados); Coleta e Manejo de Capim Dourado; e o Projeto Quelônios. O
Naturatins conta ainda com 16 Unidades de Fiscalização, em diversos pontos do Estado.
| Saiba
mais |
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| Cerrado O cerrado está presente no Distrito Federal e nos
estados de Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além da
faixa central de São Paulo, uma pequena porção do Paraná, sul do Maranhão e oeste da
Bahia. Com metade de sua área original devastada, o segundo maior bioma brasileiro ocupa
uma região de cerca de dois milhões de quilômetros quadrados, ou 22% do território
nacional.
Trata-se da savana mais rica em
biodiversidade do mundo. Estimativas indicam que existem cerca de 12 mil espécies de
plantas no cerrado. Destas, quatro mil são endêmicas e só existem no bioma. O nível de
desconhecimento sobre o bioma, contudo, ainda é gigantesco. Para ser ter uma ideia, 25%
das 1.300 novas espécies de vertebrados identificados no Brasil vieram do cerrado.
Fonte: MMA |
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