| PEDOFILIA Mal que deixa marcas profundas na vida de crianças e adolescentes
Disque 100 nacional registrou 279 denúncias no
Tocantins até setembro deste ano e 430 em 2008; SSP aponta 36 registros em Palmas e 163
no interior
Tatiane Souza
Palmas
Na relação entre pedófilo e vítima, o abusador procura
estabelecer um vínculo de amizade com a criança, conquistando a confiança dela.
Geralmente as estratégias utilizadas são a busca da atenção e amizades infantis,
preferindo a companhia de crianças. O pedófilo procura agradá-las, presenteando, ou
criando situações em que pode ficar sozinho com a vítima e, algumas vezes, até
fotografá-las. Caracterizada pela atração ou desejo sexual, que leva o adulto a
sentir-se atraído, de forma compulsiva, por crianças e adolescentes, a pedofilia
independe do ato sexual em si.
A pedofilia é um mal que vem deixando marcas profundas em
crianças e adolescentes de todo o Brasil, inclusive no Tocantins. Segundo o relatório
divulgado pela assessoria de comunicação da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da
Criança e do Adolescente da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, no Brasil foram
registrados 55.534 casos de violência contra crianças e adolescentes em 2008. O mesmo
relatório informa 36.442 registros até o dia 22 de setembro de 2009. No Tocantins, os
números contabilizados em 2008 registram 430 casos e 279 também até setembro de 2009.
O relatório aponta os casos registrados através do
serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual Contra Crianças e
Adolescentes 100. O serviço de discagem direta e gratuita atende a uma diretriz de
enfrentamento de violência contra crianças e adolescentes, incluindo exploração
sexual, negligência, pornografia, violência física e/ou psicológica e abuso sexual.
Já em Palmas e no interior, através do relatório
apresentado pela Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal da Secretaria de
Segurança Pública (SSP), os dados de violência sexual contra criança e adolescente
registrados em 2008 apontam 47 e 227 casos, respectivamente. O mesmo relatório
estatístico, referente a 2009, contabilizado até o mês de julho deste ano, indica que
Palmas registra 36 casos e o interior 163.
A respeito dos números registrados no Estado, a promotora
criminal Zenaide Aparecida da Silva, da 2ª Promotoria da Justiça da Infância e
Juventude, informa que se aumenta o número populacional, cresce também a quantidade de
problemas que atingem a sociedade. Hoje, nós temos o Disque-100 (canal que se
consolida como importante meio de denúncias sobre violações de direitos de crianças e
adolescentes) que facilita muito. Temos também um maior esclarecimento da
sociedade, disse. A sociedade hoje denuncia mais, os números de denúncia
aumentaram e isso deve-se às campanhas publicitárias, que educam a população no
sentindo de assumir a responsabilidade sobre seus problemas. As facilidades em se
preservar a identidade da pessoa que faz a denúncia, também, segundo a promotora,
colaboram com o aumento do número de denúncias.
CRIME
Atualmente, a legislação brasileira não especifica o crime de pedofilia. O problema é
definido simultaneamente como distúrbio psicológico e desvio sexual (ou parafilia) pela
Organização Mundial de Saúde (OMS). A coordenadora geral do Centro de Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente Glória de Ivone (Cedeca-TO), Simone Brito, informa
que as consequências do comportamento de um pedófilo é que podem ser consideradas crime
de forma geral, como o atentado violento ao pudor. A prática ou não do ato sexual,
como passar a mão nas partes íntimas da criança ou do adolescente, o estupro e a
pornografia, que é vender, circular, produzir material que expõe a imagem, já pode
considerar pedofilia.
Conforme a coordenadora, a proliferação da pornografia
infantil se dá, principalmente, nos meios de comunicação e mais ainda na internet,
tendo em vista que, essa é atualmente uma ferramenta de fácil acesso aos jovens. Para a
representante do Cedeca, a questão da pedofilia deve ser enquadrada na saúde pública e
o tema abordado pela sociedade em âmbito escolar, familiar e comunitário. É
preciso que a questão da sexualidade saia de cima do muro, que não seja mais um mito,
pois isso limita a defesa da criança. De acordo com ela, se o assunto não for
tratado na escola, na família ou na comunidade, acaba por virar uma restrição e a
criança ou adolescente fica vulnerável com a desinformação.
| Informações
importantes |
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As vítimas de
abuso sexual e pedofilia podem ser:
Crianças (meninos e meninas);
Adolescentes;
Pessoas com necessidades especiais;
Mulheres jovens, adultas e idosas;O autor do crime geralmente pode ser:
Não somente homens de aspecto doentio e mal encarados;
Indivíduos de todas as classes sociais;
Pais, padrastos, parentes, vizinhos, namorados, amigos, colegas, desconhecidos;
Consequências:
Doenças sexualmente transmissíveis;
Lesões corporais;
Transtornos emocionais
Gravidez indesejada
Sintomas de quem sofre abuso sexual
Ansiedade
Depressão ou choros frequentes e aparentemente sem motivo.
Isolamento;
Medo abundante;
Perda de confiança nas pessoas;
Dificuldade de relacionamento;
Sentimento de culpa ou nojo;
Tentativas de negar o que ocorreu;
Alteração no sono ou na alimentação;
Diminuição no rendimento escolar;
Mudança de comportamento;
Dores no ânus ou ao urinar;
Comportamento sexual inadequado para a idade;
Importante saber:
Estatuto da Criança e Adolescente (ECA)
Art. 5º
Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei
qualquer atentado, por ação ou omissão dos seus direitos fundamentais.
O que fazer e onde ir:
Se possuir alguma suspeita, procure estar sempre disponível e demonstre
confiança, com o objetivo de fazer com que a vítima possa confessar a você a violência
que vem sofrendo;
Leve a vítima ao Pronto Socorro, caso ela aparente estar mal, com sangramentos ou
ferimentos. Peça ao médico exames que comprovem a violência, como a presença de
esperma e exame de defloração;
Vá imediatamente à Delegacia mais próxima para fazer o Boletim de Ocorrência ou
à Delegacia Estadual de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA);
Procure também o Conselho Tutelar mais próximo de sua região;
Denuncie através do Disque-100.
Sites de apoio sobre pedofilia e
pornografia infantil:
www.abranet.com.br
www.abrapia.org.br
www.abtos.org.br
www.cecria.org.br
www.cedeca.org.br
www.censura.com.br
www.denuncie.org.br
www.dpf.gov.br
www.safernet.org.br
www.violenciasexual.org.br |
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