| DESAPARECIDOS Cadastro pretende criar rede de investigações
Maiores causas de desaparecimento de crianças e
adolescentes são a fuga e a subtração de menor
Vannildo Mendes (AE) e Gilberto Costa (ABr)
Brasília (DF)
O Ministério da Justiça (MJ) e a Secretaria Especial dos
Direitos Humanos da Presidência da República lançaram ontem o Cadastro Nacional de
Pessoas Desaparecidas. O objetivo é criar uma rede de investigações e acompanhamento
dos casos, a partir do acúmulo de dados sobre crianças, adolescentes, adultos e idosos.
De acordo com o MJ, a criação do cadastro é uma
política de Estado e a partir dele será possível alcançar um número real sobre casos
de desaparecimentos no Brasil. A ideia é que o desaparecimento seja inserido no cadastro
e, posteriormente, divulgado para todos os entes de segurança do País.
No entanto, mesmo com a implantação do cadastro,
permanece a obrigatoriedade do registro de ocorrência, especialmente nos casos de
desaparecimento suspeito, segundo informou o MJ.
Dados oficiais indicam que as maiores causas de
desaparecimento de crianças e adolescentes são a fuga (40%), a subtração do menor
(15%), a fuga com o namorado(a) (10%) e o desaparecimento relacionado ao tráfico de
drogas e exploração sexual (5%).
CPI
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o desaparecimento de crianças e
adolescentes no Brasil será prorrogada. A informação é da deputada Bel Mesquita
(PMDB-PA), que preside a comissão. O prazo previsto para o encerramento da CPI, que
começou a funcionar em agosto do ano passado, é 27 de março.
Segundo a parlamentar, a CPI precisará de mais 60 dias
para fazer a redação do relatório. Ela deve ser prorrogada um pouco mais, tendo
em vista as inúmeras propostas que estamos estudando, disse Bel Mesquita,
adiantando que, além do relatório, a comissão deve apresentar projetos de lei.
A deputada, que participou do lançamento do Cadastro
Nacional de Pessoas Desaparecidas, disse que a iniciativa não vai resolver os
problemas, mas vai ajudar, e muito, a encontrar as pessoas. Bel Mesquita é autora
da Lei nº 12.127, de dezembro passado, que criou o Cadastro Nacional de Crianças e
Adolescentes Desaparecidos.
Para Ivanise Esperidião da Silva, presidente da
Organização Não Governamental Mães da Sé, o cadastro é uma das ferramentas
mais importantes que já foram criadas. Ela, que tem uma filha desaparecida há 14
anos, acredita que com o cadastro as investigações não ficarão mais restritas às
regiões e o País terá o número oficial sobre desaparecimentos. Vamos poder falar
com propriedade quantas pessoas desaparecem no Brasil..
| Saiba
mais |
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| Sistema O sistema permitirá a identificação,
acompanhamento e localização de desaparecidos e será acessado pelas polícias civis
estaduais, pelas polícias rodoviárias e pelos conselhos tutelares e entidades civis de
assistência social e de direitos humanos. Os dados trafegarão pela rede de Integração
Nacional de Informações de Segurança Pública e Justiça (Infoseg). Familiares poderão
avisar do desaparecimento pela internet. A comunicação não dispensa o registro da
ocorrência da delegacia de polícia.Já estão registrados no sistema 1.300 casos. |
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