| Nossos rios e mananciais Péricles José Cândido Póvoa
é servidor estadual do Dertins - residência de Dianópolis
periclespovoa@ibest.com. br
Poucos brasileiros conhecem as nascentes dos nossos rios,
córregos e riachos. Tenho absoluta certeza disso. A santa natureza fez tudo perfeito, com
a mais sábia maestria: as matas, rios, lagoas, ribeirões, cachoeiras, uma terra fértil
e tudo mais que existe de belo e perfeito. Entregou tudo isso ao homem, convincente de que
seria conservado e aperfeiçoado. Ledo engano. A sua sanha destruidora e egoísta
impediu-o que desse continuidade à obra-prima, transformando-o em vândalo e predador.
Será que o governo se preocupa, ou ao menos se atina a pensar sobre o valor de nossas
nascentes, a verdadeira fonte de vida de nosso Planeta? Será que o seu maior órgão
fiscalizador faz ao menos uma visita por ano aos nossos mananciais? Há mapeamento de tais
locais? Creio que não.
Somos testemunhas oculares da destruição de rios e
córregos antes caudalosos e de águas transparentes, que se tornam bancos de areia, como
é o caso dos de Ponte Alta e Areia, nos municípios de Ponte Alta do Bom Jesus e Novo
Jardim, que já foram exuberantes e piscosos. Hoje, num quase velório, derramam suas
últimas lágrimas, que penetram nos grandes assoreamentos provocados pelas mãos
ambiciosas, criminosas e destruidoras do homem, na busca desenfreada pelo crescimento
econômico, sem nenhuma preocupação com o equilíbrio e proteção ao meio ambiente, do
qual dependem a natureza e o ser humano.
Estamos sendo covardes testemunhas de um processo de
destruição, aceitando pacificamente, ora por comodismo, covardia e medo, ora por velhas
práticas individualistas de corrupção, esse processo de degradação que ocorre a olhos
vistos, legando às futuras gerações uma vida vegetativa. Sou favorável às multas e
detenções aos predadores. Porém, o Governo deveria fazer a sua parte, sem omissões e
com medidas preventivas. Caso perdure essa total falta de atenção para com as nascentes
dos córregos e rios, dentro em breve eles encerrarão seus desfiles imponentes rumo aos
oceanos, pois será cortado o cordão umbilical, faltando o oxigênio necessário, este
que alimenta e oferece vigor à natureza.
O descaso e a ambição do homem, que busca unicamente o
lucro desmedido, é a principal razão da destruição que assola nossa fauna e flora.
Segundo o Governo, através de seus técnicos, as grandes hidrelétricas, como Tucuruí,
Serra da Mesa e outras, agridem sobremaneira o meio ambiente. Assim, resolveram construir
as conhecidas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHS), alegando que são mínimas as
agressões. Concordo que nosso país necessita de energia, visto ser este um bem essencial
e de interesse público. Concordo, também, que através dessas construções abrem-se
possibilidades de empregos, contribuindo com o desenvolvimento de muitas regiões, como a
de Dianópolis, que se transformou num pólo pujante após o início das construções
dessas pequenas hidrelétricas, melhorando as condições do nosso povo.
Por outro lado, é de se perguntar: e a natureza, como
fica? Conclamamos aos nossos cientistas, que antevejam e estudem com carinho e com
urgência uma maneira menos agressiva de termos energia em abundância, deixando o meio
ambiente em paz, antes que seja tarde demais. Como exemplo, basta lembrar do Rio Palmeiras
que, no estreito leito que corta o município de Dianópolis, comporta sete PCHS, já
concluídas ou em construção, com previsão de mais três. No rio Manoel Alves são
quatro, além de outras a serem construídas no Ribeirão do Inferno, município de Ponte
Alta, todas com autorização e financiamento do Governo.
Nós, nativos da região, que assistimos a imponência dos
nossos rios caudalosos, hoje vemos uma linha divisória: o que antes era rio
transformou-se em lago, sem alegria, sem cachoeiras e sem vida, num verdadeiro deserto
árido, com filetes de água, despida de suas grandes árvores que lhes davam sombra e
proteção. Este é o retrato-falado do nosso belo e querido Brasil, que nos foi dado com
uma natureza exuberante e pródiga, mas que os homens tentam de todas as maneiras macular
e destruir. Pedimos que tenham clemência e piedade, e conclamamos: basta de agressão!
Respeitem a natureza, as matas, os rios, córregos e riachos. Eles precisam e devem viver,
pois de suas existências dependem as nossas vidas. |