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Palmas, 22 de julho de 2008

Nossos rios e mananciais

Péricles José Cândido Póvoa
é servidor estadual do Dertins - residência de Dianópolis
periclespovoa@ibest.com. br

Poucos brasileiros conhecem as nascentes dos nossos rios, córregos e riachos. Tenho absoluta certeza disso. A santa natureza fez tudo perfeito, com a mais sábia maestria: as matas, rios, lagoas, ribeirões, cachoeiras, uma terra fértil e tudo mais que existe de belo e perfeito. Entregou tudo isso ao homem, convincente de que seria conservado e aperfeiçoado. Ledo engano. A sua sanha destruidora e egoísta impediu-o que desse continuidade à obra-prima, transformando-o em vândalo e predador. Será que o governo se preocupa, ou ao menos se atina a pensar sobre o valor de nossas nascentes, a verdadeira fonte de vida de nosso Planeta? Será que o seu maior órgão fiscalizador faz ao menos uma visita por ano aos nossos mananciais? Há mapeamento de tais locais? Creio que não.

Somos testemunhas oculares da destruição de rios e córregos antes caudalosos e de águas transparentes, que se tornam bancos de areia, como é o caso dos de Ponte Alta e Areia, nos municípios de Ponte Alta do Bom Jesus e Novo Jardim, que já foram exuberantes e piscosos. Hoje, num quase velório, derramam suas últimas lágrimas, que penetram nos grandes assoreamentos provocados pelas mãos ambiciosas, criminosas e destruidoras do homem, na busca desenfreada pelo crescimento econômico, sem nenhuma preocupação com o equilíbrio e proteção ao meio ambiente, do qual dependem a natureza e o ser humano.

Estamos sendo covardes testemunhas de um processo de destruição, aceitando pacificamente, ora por comodismo, covardia e medo, ora por velhas práticas individualistas de corrupção, esse processo de degradação que ocorre a olhos vistos, legando às futuras gerações uma vida vegetativa. Sou favorável às multas e detenções aos predadores. Porém, o Governo deveria fazer a sua parte, sem omissões e com medidas preventivas. Caso perdure essa total falta de atenção para com as nascentes dos córregos e rios, dentro em breve eles encerrarão seus desfiles imponentes rumo aos oceanos, pois será cortado o cordão umbilical, faltando o oxigênio necessário, este que alimenta e oferece vigor à natureza.

O descaso e a ambição do homem, que busca unicamente o lucro desmedido, é a principal razão da destruição que assola nossa fauna e flora. Segundo o Governo, através de seus técnicos, as grandes hidrelétricas, como Tucuruí, Serra da Mesa e outras, agridem sobremaneira o meio ambiente. Assim, resolveram construir as conhecidas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHS), alegando que são mínimas as agressões. Concordo que nosso país necessita de energia, visto ser este um bem essencial e de interesse público. Concordo, também, que através dessas construções abrem-se possibilidades de empregos, contribuindo com o desenvolvimento de muitas regiões, como a de Dianópolis, que se transformou num pólo pujante após o início das construções dessas pequenas hidrelétricas, melhorando as condições do nosso povo.

Por outro lado, é de se perguntar: e a natureza, como fica? Conclamamos aos nossos cientistas, que antevejam e estudem com carinho e com urgência uma maneira menos agressiva de termos energia em abundância, deixando o meio ambiente em paz, antes que seja tarde demais. Como exemplo, basta lembrar do Rio Palmeiras que, no estreito leito que corta o município de Dianópolis, comporta sete PCHS, já concluídas ou em construção, com previsão de mais três. No rio Manoel Alves são quatro, além de outras a serem construídas no Ribeirão do Inferno, município de Ponte Alta, todas com autorização e financiamento do Governo.

Nós, nativos da região, que assistimos a imponência dos nossos rios caudalosos, hoje vemos uma linha divisória: o que antes era rio transformou-se em lago, sem alegria, sem cachoeiras e sem vida, num verdadeiro deserto árido, com filetes de água, despida de suas grandes árvores que lhes davam sombra e proteção. Este é o retrato-falado do nosso belo e querido Brasil, que nos foi dado com uma natureza exuberante e pródiga, mas que os homens tentam de todas as maneiras macular e destruir. Pedimos que tenham clemência e piedade, e conclamamos: basta de agressão! Respeitem a natureza, as matas, os rios, córregos e riachos. Eles precisam e devem viver, pois de suas existências dependem as nossas vidas.