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Palmas, 22 de julho de 2008

CULTURA

Editais, avanços na produção artística

Na Capital para análise dos projetos do Palmas pra cultura,
os produtores Claudinei Pirelli e Antônio da Mata ressaltam
a qualidade das propostas

Lenna Borges
Palmas

Os produtores culturais Claudinei Pimentel Mota, mais conhecido como Pirelli, e Antônio da Mata estiveram em Palmas na última semana como convidados para participar da comissão de seleção dos projetos inscritos no edital Palmas Pra Cultura da Prefeitura de Palmas, por meio da Fundação Cultural de Palmas(Veja matéria ao lado com os selecionado) e concederam uma entrevista ao Jornal do Tocantins para comentar a produção brasileira.

Segundo Pirelli, os processos democráticos são uma tendência nacional que têm ocorrido no Brasil de um modo geral, onde os governo federal, estadual e municipal buscam alternativas de escolhas de projetos contemplados com recursos públicos por meio de editais. “Este é um grande avanço na produção cultural brasileira”, garante.

Pirelli ressalta que hoje a produção cultural brasileira é de uma quantidade imensa e também de uma qualidade indiscutível, inegável. Além disso, a grande autonomia, segundo ele, é a diversidade pela formação cultural que se transformou em potencial. “O brasileiro é um povo criativo que produz em todos os lugares coisas diferentes. As realidades e as dificuldades são as mesmas, claro que proporcionalmente, são diferentes as contextualizações”, argumenta.

Mata cita como exemplos Rio de Janeiro e São Paulo, onde os artistas globais lotam as casas. Já em outros estados, segundo ele, a situação é diferente, mas a competência e a qualidade são as mesmas. “Estou falando de teatro, mas é a mesma coisa para as outras áreas. Por exemplo, a coreógrafa Deborah Colker será a primeira mulher do mundo que fará um espetáculo dentro do Cirque du Soleil, é um privilégio para nós brasileiros, porque a primeira mulher é brasileira. Olha aí a nossa competência”, elogia Mata.

Recursos
Pirelli elogia o município de Palmas com a iniciativa de fazer edital público, ou seja, distribuir recurso que é público e designar uma comissão para analisar. “Isso é fundamental pois coloca a discussão em outro patamar, não é meramente uma distribuição sem critérios. A política de editais é louvável e deve ser sistêmica, uma política de governo para o fortalecimento da cultura local”, argumenta Pirelli.

Mata complementa que, através do edital, o artista fica em condições de disputar de igual para igual com outros produtores, e o município fica em condições de avaliar com mais tranqüilidade. Segundo ele, um fato interessante na produção é que ela não é diferente, “o que está acontecendo aqui em Palmas é o mesmo que acontece nos outros lugares, as condições é que diferem”.

Ele argumenta que Palmas tem um edital com condições de selecionar determinados grupos, embora o dinheiro seja mais resumido, isso pelo fato do Estado e a Capital serem novos. “As condições de implementações com relação à produção cultural ainda são recentes, mas com condições de evoluir e chegar à lei de incentivo, por exemplo”, ressalta complementando: “Este incentivo será melhor elaborado que os existentes em outros estados e municípios. Terão apenas que ser adaptados a cada região e atendendo as necessidades daqui”, explica Mata.

Mata diz ainda que existe muito mais recursos e que, mesmo os empresários ajudando, eles também terão benefícios. “Por que este dinheiro não é dos empresários, é do governo que faz este benefício para a comunidade artística. Com a lei de incentivo, o empresário ganha muito porque a cultura, atualmente, é um grande achado, a cultura se tornou um grande link com tudo que está acontecendo no mundo”.

Edital
Para o edital Palmas pra Cultura foram inscritos e analisados 102 projetos, um número considerado pelos produtores como excepcional e significativo pelo tamanho do município. “De um modo geral, todos os projetos tem qualidade e podem ser executados, alguns não foram selecionados por problemas na elaboração ou não cumpriram com os requisitos exigidos no edital”, explica.

De acordo com Pirelli, os projetos apresentaram idéias muito boas, no entanto, é preciso pensar em preparar o relatório, contextualizar. “Às vezes a idéia é boa, mas quando colocada no papel, falta habilidade para elaborar o projeto, falta subsídio que dê direcionamento, diz acrescentando: “Mas elaborar um projeto não é uma dificuldade só de Palmas, é geral. Preocupa-se muito na formação do artista enquanto processo criativo, agora para a produção e gestão, não é comum como em outras áreas não culturais, por exemplo”.

Pirelli complementa que o artista não precisa saber fazer, mas que ele tem que conhecer, porque se outro for elaborar seu projeto ele tem que saber que aquilo que está sendo elaborado é o que ele pretende e quer fazer. “É importante que o artista leia, principalmente os editais que já trazem as orientações e traçam o direcionamento. É lamentável que quando são oferecidos cursos, palestras e oficinas sobre produção as pessoas não se interessam”.

Faculdade
Com a realização do primeiro vestibular para Artes Visuais, na Universidade Federal do Tocantins (UFT), para 2009, Mata faz uma recomendação de que seja colocado dentro da grade curricular do curso uma disciplina que fale sobre a gestão de produção cultural, porque não tem nenhuma escola no Brasil que faça isso. “E a Universidade tem esse link metodológico, científico de análise acadêmica, e se a UFT fizer isso será a primeira do Brasil a possuir dentro do curso de Arte, uma disciplina de Gestão”.

Produtores
Claudinei Pimentel Mota – Produtor cultural com licenciatura em Artes Cênicas pela Faculdade Dulcina de Moraes; Ex-coordenador da Fundação Nacional de Arte (Funarte) do Brasil Central.

Antônio da Mata – Gestor cultural com mestrado em Artes pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – SP; Ex-coordenador de Cultura da Fundação Jaime Câmara e atual Diretor do Museu de Artes de Goiânia.