| Acusado de vazar dados pede afastamento Brasília(AE) - Quatro dias depois de ter sido
apontado como o responsável pelo vazamento de um dossiê com gastos pessoais do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o secretário de Controle Interno da Casa Civil,
José Aparecido Nunes Pires, pediu ontem afastamento do cargo.
Apesar das ameaças veladas de que poderia revelar a cadeia
de comando da confecção do dossiê, Aparecido se comprometeu com o governo a não sair
atirando. Em troca, o Planalto garantiu que ele não será responsabilizado criminalmente
pelo vazamento das informações, embora nem a Polícia Federal nem a Casa Civil tenham
concluído as investigações. Sua punição vai se resumir a uma sanção administrativa.
Além de negar que tenha vazado os dados do dossiê para
André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), Aparecido disse, em
conversas reservadas, que não seria defenestrado sozinho. Afirmou a amigos que a ordem
para a confecção do dossiê partiu da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice
Guerra, que, por sua vez, cumpria determinação superior.
A negociação para a saída de Aparecido envolveu vários
auxiliares de Lula e chegou a provocar impasse. Até o início da noite, Aparecido não
aceitava assumir sozinho toda a responsabilidade pelo vazamento e muito menos poupar
Erenice.Com medo de que o secretário pudesse incriminar alguém, o governo preparou uma
saída jurídica descriminalizar o vazamento de informações. Pela nova versão, os dados
não são mais sigilosos porque se referem a um ex-presidente e não põem mais em risco a
segurança. |