Ex-detento denuncia
mordomia de presos CPP - Segundo
informação, em todas as celas daquela
unidade existem facas, drogas e, em algumas, celulares
Maria Letícia Ferreira
Palmas
Presos com celulares, facas e drogas. Essa é a situação
na Casa de Prisão Provisória (CPP) de Palmas, segundo denúncia de João (nome
fictício), ex-detento daquela unidade prisional, que reclamou também de agressões
freqüentes sofridas por internos recém-chegados, como ele, por parte de presos antigos.
João passou alguns dias na CPP e afirma preferir a morte
do que retornar ao local. A polícia não bate, mas os presos humilham, agridem e
ameaçam. Em todas as celas existem facas, drogas e, algumas, possuem celulares,
denunciou.
Além da agressões, a pressão psicológica também faz
parte da rotina de quem está ou já passou pela unidade. Ainda de acordo com João, os
motivos para a agressão variam. Além de não conseguir dormir, por causa do aperto nas
celas, o medo também não garante uma noite se quer de sono. Para dormir, as celas
são bem apertadas. Como que eu vou confiar em dormir dentro de uma cela com cinco, seis
ou até mais presos que são criminosos e que lá dentro tem faca deles? Você se sente
uma pessoa ameaçada, disse.
O acesso à droga é permitido aos detentos por meio dos
presos do corredor, ou seja, aqueles que já estão concluindo a pena. João culpa o
sistema pelas falhas e garante não existir uma presença freqüente de policiais ou
agentes. Polícias, agentes da polícia, você vê na hora de fazer a chamada.
O ex-detento garante que é muito difícil uma pessoa sair
de lá melhor do que entrou. Como eles colocam um réu primário no meio de
criminosos que já fizeram assalto, pessoas que matavam, que roubava? São pessoas que
matar um, dois ou mais não vai fazer diferença. Eles ameaçam.
SSP
A assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP)
informou, por meio de nota ao Jornal do Tocantins, que não existem registros de
reclamações nesse sentido na Corregedoria da Polícia Civil. A SSP orienta que, se algum
detento se sentir ferido no seu direito ou prejudicado por alguma prática, deve
formalizar uma representação na Corregedoria, pois somente assim os fatos poderão ser
investigados e, se detectadas falhas, estas serão corrigidas.
Em relação às agressões, a SSP garante que é
obrigação do policial defender a integridade física do preso, porém, brigas entre
detentos sempre existem e algumas vezes podem passar despercebidas pelos policiais, tendo
em vista à grande quantidade de presos a ser monitorada. A SSP reconhece que o ideal é
que acusados de crimes mais graves permaneçam em celas separadas de pessoas que cometeram
crimes mais leves, porém, informa que, dependendo da quantidade de aprisionados, pode
ocorrer a necessidade de permanecerem juntos.
Fiscalização
Em relação à entrada de objetos, principalmente celulares, a SSP afirma que se
dá pelo ingresso da visita, um direito do preso garantido em lei; a revista do visitante
é realizada de forma adequada, porém, existem locais, principalmente, nas partes
íntimas, onde pode passar despercebida a existência de objetos; este é um problema que
vem sendo combatido através das revistas periódicas que são realizadas, porém, nenhum
detector existe que garanta plenamente a erradicação do problema.
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O Que: Denúncia
de agressão e de entrada de objetos como drogas e celulares
Onde: Na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPP)
Quem: Ex-detento |
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