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Palmas, 13 de maio de 2008

Governo põe R$ 21,4 bilhões na indústria

Desenvolvimento - Renúncias fiscais são a base da
Política de Desenvolvimento Produtivo, lançado ontem

Fernando Dantas (AE)
Rio de Janeiro

Depois de meses de expectativa e muitos ajustes de última hora, o governo lançou ontem no Rio o seu novo e super aguardado plano de política industrial, voltado a estimular as exportações, os investimentos, a pesquisa e a inovação. Batizado de Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), o programa está baseado em renúncias fiscais de R$ 21,4 bilhões até 2010, final do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A PDP também inclui a aceleração dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à indústria e aos serviços, que deverão totalizar R$ 210 bilhões de 2008 a 2010. Este número exclui os crescentes financiamentos à infra-estrutura pelo banco de fomento. Outro aspecto da nova política industrial são diversas medidas de barateamento das linhas do BNDES, ao custo de R$ 350 milhões ao ano.

O novo programa foi lançado com pompa e circunstância na sede do BNDES, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dez ministros, dez governadores - entre eles Marcelo Miranda (PMDB), do Tocantins - e uma longa lista de empresários. Em seu discurso, Lula disse que “investir, exportar e inovar são as nossas metas nesse momento de virada”.

Consolidação
O objetivo mais amplo da PDP é o de “consolidar o crescimento de longo prazo da economia brasileira”. O programa visa especificamente “preservar a robustez do balanço de pagamentos brasileiro”, sustentando “uma taxa elevada de expansão das exportações” e criando “condições favoráveis à atração de um maior volume de investimentos externos diretos”.

Em entrevista coletiva após o lançamento da PDP, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou: “Agora nós temos um programa de desenvolvimento para valer, que não é fantasia, um desejo do governo, mas sim uma realidade que vai sendo posta em prática”. Para Mantega, “há muito tempo que não se fazia um programa dessa dimensão no Brasil”. Já Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, afirmou que o Estado volta ao seu papel de coordenador, planejador e indutor do desenvolvimento “pela primeira vez nos últimos 30 anos”.

A PDP é a segunda iniciativa de política industrial do governo Lula, depois da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), lançada em 2004. Um das distinções entre as duas políticas é que a PDP é fortemente estruturado em um sistema de metas. Este arcabouço se divide em “macrometas”, ou “Metas-País”, referentes à taxa de investimentos, gastos privados em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e exportações; e metas para os muito programas específicos que fazem parte da PDP Segundo Jorge, a PDP é um plano “com metas claras, responsabilidades definidas e gestores responsáveis”.

Conheça as medidas
Crédito
Redução do custo de financiamento do BNDES e ampliação dos subsídios aos setores exportadores, como os do programa Revitaliza, destinado aos setores de calçados, couros, móveis e têxteis, cujos recursos passarão de R$ 300 milhões para R$ 450 milhões. O desembolso total projetado para indústria e serviços pelo BNDES, no período de 2008 a 2010, foi ampliado para R$ 210,4 bilhões

O spread médio do conjunto das linhas de financiamento do BNDES será reduzido em 20% , de 1,4% ao ano para 1,1% ao ano. Foi estabelecida ainda uma redução da taxa de intermediação financeira de 0,8% para 0,5%

O prazo para apropriação de créditos do Programa de Integração Social/ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) derivados da aquisição de bens de capital (máquinas e equipamentos) será reduzido de 24 meses para 12 meses

Ampliação no prazo das linhas do Finame de cinco para dez anos

BNDES terá linha de crédito com taxa especial, de 4,5% ao ano, para projetos de empresas que tenham investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento

Desoneração
Eliminação da incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% nas operações de crédito do BNDES, Finame e Finep

Ampliação da lista de bens de capital com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) zero e isentos de PIS/Cofins

Redução pela metade da contribuição patronal para o INSS sobre a folha de pagamento dos trabalhadores de empresas de Tecnologia de Informação, no desenvolvimento de softwares para exportação

Permissão para que as empresas de informática e automação possam reduzir na base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) os dispêndios relativos a pesquisa e desenvolvimento

Ainda no IR, depreciação acelerada do valor de máquinas e equipamentos adquiridos para aumentar a capacidade de produção

Exportações
Contribuição de empresas de informática e automação para o ‘Sistema S’ pode cair para até zero com base na participação das exportações no faturamento total da empresa

Sete setores vão buscar consolidar a liderança no mercado internacional: petróleo e gás natural; mineração; siderurgia; bioetanol; celulose e papel; carnes; e complexo aeronáutico